Érika Ceconi
Fabiano Viana
Cerca de 200 catadores de materiais recicláveis do viaduto do Glicério,
em São Paulo , foram surpreendidos com uma ação da Subprefeitura da Sé, enquanto trabalhavam. Barracos, papelões, documentos e até dinheiro foram recolhidos pela equipe da limpeza da prefeitura, segundo os catadores que estavam no local.
Na manhã desta terça-feira (22), por volta das 11horas, o caminhão do Alô Limpeza recolheu os pertences dos catadores sem nenhuma comunicação prévia. Os trabalhadores fizeram uma corrente humana para reagir à ação da Subprefeitura, mas foram repreendidos pela GCM com spray de pimenta. O coordenador do Movimento Nacional dos Catadores, Roberto Laureano da Rocha que fotografa a limpeza, foi preso e teve a câmera apreendida. Após algumas horas, o advogado do movimento interveio pela liberação de Rocha.
A catadora Joana Gonçalves contou que teve suas roupas e documentos levados pela equipe da limpeza. “A gente estava separando o material reciclável quando eles chegaram levando tudo, até o dinheiro da nossa mercadoria”. Segundo Laureano, esta ação da prefeitura desvaloriza o trabalho dos catadores: “É um ato cruel o que a Prefeitura fez. Tratou os catadores como marginais pela grande quantidade de policiais que acompanhou a operação”.
De acordo com o coordenador da Ação Social da Subprefeitura da Sé, Renato Barreiro, os catadores que ocupavam o espaço debaixo do viaduto, cedido pela Prefeitura, não conseguiram manter a higiene. “O ambiente estava muito sujo e tinha ratos, resolvemos tomar essa grande medida de limpeza porque esse material estava contaminado e colocava em risco a vida deles”. Barreiro afirmou que após higienização do local, os catadores poderão voltar a trabalhar normalmente.
Já para o integrante do MNCR, Sérgio Bispo, o material recolhido não deveria ir para o lixo. “A Prefeitura está fazendo uma ação irregular: pega todo material que já estava separado para a reciclagem e vai jogar no aterro sanitário”.
O advogado do MNCR, Wellington Ferreira de Amorim disse que vai estudar junto com o Movimento uma medida à ser tomada com relação a retirada do material dos catadores. “O fruto do trabalho dos catadores está indo para o lixo”, conclui Amorim.
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