Direto da Rua: Na rua, na calçada, no “trecho”
35 anos do jornal O Trecheiro

Eu conheço o jornal O Trecheiro desde 2016, quando fui fazer cursos na FAPCOM, ministrados pela Rede Rua. Nesses cursos, podia-se fazer o que quisesse: pintar, colorir, fotografar, desenhar. Eu estava há 16 anos sem escrever. Comecei em 1999, escrevi o ano todo e, em 2000, me levaram um caderno de 200 x 297 mm. Pensei em voltar a escrever, mas foram esses cursos que fiz na Rede Rua e na FAPCOM que me reanimaram. Foi o meu reinício na escrita.
A nossa professora, na época, Carolina Estela, foi a minha musa, fonte inspiradora. Esta é a melhor maneira de elogiá-la. Todos os textos que eu escrevia, eu entregava a ela. Ela sempre me elogiava, incentivava, e eu simplesmente me empolgava e escrevia mais e mais.
Tanto é que, quando paramos os cursos, se não me engano por causa da pandemia, eu segui a minha carreira solo, dando sequência à minha vida na escrita: 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026.
Eu tive a felicidade de ter vários textos meus publicados no jornal O Trecheiro. Eu tinha ansiedade, quando pegava o jornal, é claro, de ler os meus textos. Era, para mim, uma honra. Eu fazia questão de pegar o jornal com os meus textos e mandar pelo Correio tanto para Belo Horizonte como para Ponte Nova, em Minas Gerais, que é onde estiveram meus familiares.
Sem dúvida nenhuma, o jornal O Trecheiro foi o maior incentivo que eu tive, devido ao grande número de exemplares, de 15 a 20 mil. Nesse espaço, tive textos que escrevi publicados na revista OCAS, mas eu gostei e procurava mesmo era O Trecheiro. E continuo assim: sempre que vejo o jornal, procuro algum texto que escrevi.
Eu fico atualizado com as notícias da rua e volto à memória de tudo o que passei na rua, na calçada, nos atendimentos das comunidades, inclusive a Rede Rua, que fez, e muito bem, um intercâmbio entre mim e minha família. Foram 30 anos sem notícias. A Rede Rua me levou até a minha família. O local do encontro foi o Teatro Municipal. Nesse encontro, nos atualizamos. Foi marcado pela Andreza entre mim e minha sobrinha Aline, que, inclusive, levou tanto para Belo Horizonte como para Ponte Nova, em Minas Gerais, edições do jornal O Trecheiro, com alguns textos escritos por mim.
É uma honra para mim pegar o jornal O Trecheiro. Ler um texto que eu escrevi me faz lembrar os tempos em que escrevia na rua, na calçada, nos bancos das praças, nos albergues, sem praticamente nada: caderno sobre a caixa, às vezes a caneta acabava e eu não tinha dinheiro para comprar outra.
Sentado no papelão das escadarias da Praça da Sé, no Teatro Municipal, na Praça da República, o que eu queria mesmo era escrever, independentemente da posição ou do local. Assim foi feita a minha carreira solo!
*Escritor e comunicador popular. Nascido em Ponte Nova (MG), escritor pelos trechos das cidades, publicou o livro, “Inimitável Sozé - Viver em São Paulo” em 2024.




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