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  • Chamada para candidaturas de vagas Cidadania Pop Rua

    Chapelaria Social Irmã Alberta | Chapelaria Social Irmãs Regina e Ivete Oportunidade de trabalho A Associação Rede Rua está com 13 vagas abertas  pelo projeto Cidadania Pop Rua – Chapelaria Social, em diferentes áreas de atuação. As oportunidades são para: Recepcionista (2 vagas) Auxiliar de Manutenção de Edifícios (2 vagas) Monitor(a) de Segurança (1 vaga) Agente de Limpeza (4 vagas) Administrador(a) (1 vaga) Supervisor(a) Clínico Institucional (1 vaga) Articulador(a) / Mobilizador(a) Social (2 vagas) Se você tem compromisso com os direitos humanos, sensibilidade para atuar com a população em situação de rua e deseja fazer parte de um trabalho que promove cidadania e inclusão social, essa pode ser a sua oportunidade. As vagas contemplam diferentes níveis de escolaridade e incentivam a candidatura de pessoas em situação de vulnerabilidade social, reforçando o compromisso com a diversidade e a inclusão. As inscrições vão até 14 de abril de 2026 . Para mais informações sobre requisitos, atribuições e processo de inscrição, acesse o link e leia o edital completo. Link: https://drive.google.com/file/d/1jhSlnktVWy_X_6BbdVIprn7gNeXSU7ui/view?usp=sharing As entrevistas serão agendadas na terceira semana de abril, para o início de trabalhos imediato no próprio mês de abril.

  • “Não ter chave é não ter nome”

    A Campanha da Fraternidade denuncia falta de moradia no Brasil que tem mais de 6 milhões de famílias sem moradia. A Campanha da Fraternidade 2026, lançada pela Conferência dos Bispos do Brasil – CNBB, em 18 de fevereiro (Quarta-feira de Cinzas), traz o tema " Fraternidade e Moradia " e o lema " Ele veio morar entre nós " (Jo 1,14). Focada na dignidade humana, a campanha denuncia o déficit habitacional no Brasil que tem mais de 6 milhões de famílias sem moradia. Pe. Alfredo José Gonçalves, que participou do Seminário de formação da Campanha da Fraternidade no dia 31 de janeiro, apontou que dos dramas de grande parte da população brasileira, uma é não possuir chave. “Não ter chave é não possuir endereço fixo, passar o dia de um lado para outro e não ter direção de ir repousar, de encontrar amigos, de onde encontrar um teto. A chave empodera. A chave nos torna cidadãos e cidadãs, declarou ele. “Não ter chave é não ter nome. Quem mora na rua não tem nome, é número”, finalizou Gonçalves. A questão da moradia é um dos grandes desafios para a superação da miséria. Com a moradia, os outros direitos ficam mais acessíveis. Segundo Benedito Barbosa, seis milhões e meio de famílias precisam de moradia. Mais de 25 milhões de domicílios no Brasil tem alguma inadequação habitacional.  Para Barbosa, a questão da moradia “é uma chaga aberta no nosso país desde a escravidão e precisamos alterar essa realidade no Brasil”.    Luiz Kohara, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, destaca que “a falta de moradia desestrutura a pessoa, por isto digo que a moradia é base estruturante para a inserção social de todas as pessoas, principalmente das pessoas em situação de rua”. Evaniza Rodrigues, da União dos Movimentos de Moradia, convida todos para participarem da Campanha dos próximos 40 dias. Segundo ela, é importante que aconteça de forma muito intensa agora, mas que continue o ano inteiro. “Que a nossa campanha aconteça durante a quaresma e siga depois sendo testemunha da luta por moradia”, conclui Rodrigues. A campanha foi aberta oficialmente no dia 18 de fevereiro e vai até o dia 29 de março, quando acontece a “Coleta Nacional da Solidariedade” que deve financiar ações concretas pela moradia digna. Representantes dos Movimentos Sociais comprometidos com a CF 2026 Acesse os vídeos sobre a campanha produzidos pela Rede Rua

  • Editorial: A Prefeitura de SP quer que as pessoas evaporem?

    O ano de 2026 começou com a notícia do aumento da quantidade de pessoas em situação de rua em todo o país. Apenas na cidade de São Paulo, segundo dados do CadÚnico, temos mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas: o número mais do que dobrou em 3 anos. Destaca-se que, após pressão popular, a Prefeitura irá realizar o novo Censo PopRua, conforme determina a Política Municipal para a População em Situação de Rua. A empresa que realizará o Censo é a Qualitest, a mesma que executou os últimos dois censos, nos anos de 2019 e 2021, em que houve, inclusive, denúncias de subcontagem na pesquisa. Ainda assim, é importante que nos próximos meses teremos a contagem oficial da Prefeitura, com dados detalhados do perfil. Enquanto a gente presencia esse aumento, a Prefeitura paulistana está fechando serviços e impedindo as pessoas de ficarem paradas nas ruas, forçando um espalhamento pela cidade. Em 2025, vimos o fechamento de Núcleos de Convivência, como a Casa Franciscana e o Santo Amaro. Acompanhamos também o cancelamento da entrega de refeições na Estação Cidadania da Sé. Centros de acolhida e Repúblicas também estão sendo fechados. Sem contar o plano de encerrar os 22 Hotéis Sociais sem qualquer planejamento de abertura de novos serviços com características semelhantes para garantia dos direitos dos acolhidos. Esse plano, por enquanto, está impedido graças à Defensoria Pública de São Paulo, que entrou com ação na justiça. Até a escrita desta edição a liminar segue vigente. Nesta edição, O Trecheiro ainda traz detalhes das ações do Grupo de Trabalho PopRua (GT PopRua), vinculado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo. Em 2025 o GT PopRua fez visitas em serviços e divulgou, em dezembro, um relatório parcial detalhando os principais problemas analisados. Em 2026 a Comissão fará mais visitas em serviços e o relatório final está previsto para o fim do 1° semestre. A equipe d’O Trecheiro seguirá acompanhando o trabalho do GT PopRua e denunciando as violências sofridas pelas pessoas em situação de rua.

  • “Sem Hotéis Sociais, para onde vamos?”

    Após o fechamento de Núcleos de Convivência e o fim da distribuição de refeições no centro; nos últimos meses de 2025 a população em situação de rua foi surpreendida por mais uma péssima notícia. Em informações prestadas ao Deputado Eduardo Suplicy e à Defensoria Pública do Estado (DPE), a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) afirmou que fecharia os 23 Hotéis Sociais da capital até o final do ano. Na prática, isso significaria uma redução de 2.671 vagas de acolhimento em um momento em que a rede já está sobrecarregada.             É importante notar que, enquanto o município diz que tem menos de 30 mil vagas de acolhimento, os dados do CadÚnico já apontam que na cidade são mais de 101 mil pessoas em situação de rua. Além disso, a maioria das vagas dos hotéis sociais é destinada a públicos em maior vulnerabilidade, como pessoas com deficiência, idosos e famílias - para os quais a transferência para centros de acolhida convencionais, em outros territórios, seria muito prejudicial.             Graças à atuação da DPE, o fato de a SMADS não ter apresentado estudos que justifiquem o fechamento, a abertura de novas vagas ou planos individualizados de acompanhamento para os acolhidos foi entendido como uma grave violação de direitos pelo Tribunal de Justiça, que determinou que os Hotéis Sociais permaneçam abertos, pelo menos enquanto estes documentos não sejam apresentados. A DPE seguirá acompanhando este caso, de forma a evitar que o fechamento dos Hotéis Sociais signifique redução da autonomia dos acolhidos

  • Oficinas resgatam memórias da “Vida no Trecho”

    Durante o mês de fevereiro, a equipe do Projeto Memórias de Rua, da Rede Rua, em parceria com o Centro de Memória Urbana da Unifesp, realizou oficinas semanais na Chapelaria Social Irmã Alberta, sempre às terças-feiras, a partir das 9h da manhã. As atividades reuniram conviventes do espaço para momentos de desenho e conversa sobre histórias de vida. As oficinas são um momento para resgatar memórias da vida no trecho, tanto do passado quanto do presente. Em uma das suas frentes, o projeto Memórias de Rua vem pesquisando o arquivo da Rede Rua, recuperando histórias, registros e lutas de quem já viveu nas ruas.  Em outra frente, as oficinas se tornam espaço para registrar as histórias de hoje, a partir das vivências e relatos compartilhados pelos participantes, conectando, assim, passado e presente. Os encontros acontecem por meio de práticas simples e abertas à participação, como desenho, fotografia, gravação de histórias de vida em vídeo e conversas em grupo. Não é preciso ter experiência nem inscrição para participar. A iniciativa busca fortalecer a escuta, a convivência e o reconhecimento das trajetórias de vida como parte da memória da cidade. Serviço: Chapelaria Social Irmã Alberta Rua Campos Sales, 88 – Brás – São Paulo – SP A partir de março as oficinas acontecem a cada quinze dias, no período da manhã. Contato: memoria@rederua.org.br

  • Dicionário da Rua: Palavras que nascem do asfalto

    Por Denise Rodrigues e Rafaela Rocha A rua fala, mas quase nunca é ouvida. Fala baixo, entre buzinas, sirenes e passos apressados que desviam o olhar. Fala em códigos próprios, forjados na urgência da sobrevivência, na solidariedade improvisada e na violência cotidiana. É dessa linguagem invisibilizada, desprezada, como ruído social que nasce o Dicionário da Rua, construído coletivamente na Oficina de Escrita Popular do Centro de Convivência Estação Cidadania II. Não se trata de um exercício folclórico nem de curiosidade linguística. O que está em jogo aqui é poder. Quem nomeia o mundo tem direito à existência simbólica. Quem tem sua palavra reconhecida passa a ter um fragmento do mosaico da cidadania. O dicionário é resultado de um processo de promoção cultural e reinserção social, assim como fortalecimento da cidadania. Ao registrar termos criados e usados por pessoas em situação de rua, a iniciativa afirma algo radical em um país acostumado a descartar vidas: o saber da rua é conhecimento legítimo. Inspirada no Método Paulo Freire, a Oficina de Escrita Popular rompe com o modelo bancário de educação, aquele que deposita conteúdos prontos em sujeitos considerados vazios. Aqui, não há recipientes, há autores. Não há correção moral, há escuta. Cada palavra registrada carrega uma história, um alerta, uma memória de perda ou de afeto. A linguagem deixa de ser instrumento de exclusão e se transforma em ferramenta de reconhecimento. Na Estação Cidadania II, foi criado um espaço especial: um território onde pessoas sistematicamente silenciadas puderam falar sem pedir permissão, escrever sem pedir desculpas, existir sem pedir licença. O resultado foi um dicionário vivo, escrito a muitas mãos, que traduz o vocabulário da rua, sem julgamento e sem apagamento. Para Everton Rafael, que participou das oficinas foi um grande aprendizado. “Foi bom, cada vez a gente aprende mais com os amigos, conhecer as pessoas, como elas são", conclui Rafael. Para pessoas que tiveram seus nomes substituídos por rótulos “noia”, “mendigo”, “invisível”, escrever é um ato de reconstrução subjetiva. Ver sua palavra registrada, publicada e respeitada é recuperar algo que a rua e a sociedade insistem em roubar: a crença de que a própria vida ainda tem valor. Para Everton Rafael, que participou das oficinas foi um grande aprendizado. “Foi bom, cada vez a gente aprende mais com os amigos, conhecer as pessoas, como elas são.  “E aí doido – um conhecido" -  exemplifica, Rafael. Ivan, Fernanda, Denise, Rafaela e Nildes que receberam a equipe do Jornal O Trecheiro Serviço:  Estação Cidadania II – Rua das Palmeiras, 490, Vila Buarque – São Paulo. A Estação Cidadania II é um projeto conveniado com a pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo da Prefeitura de São Paulo e a “Ação Retorno”, coordenado pela Pastora Nildes Neri.

  • “Um anjo que surgiu nas nossas vidas”

    Memória de Maria Alice, suporte e inspiração dos vendedores da Revista Ocas Maria Alice Vassimon, um ano longe de nós. Mas não parece. Temos a sensação de que ela continua muito presente. Ela nos deixou um legado que ninguém nos tira: a defesa de uma vida em que prevaleça a justiça, com muito — mas muito — amor; onde a acolhida respeitosa aconteça, onde haja alegria de viver, firmeza nas posições e ternura por todo ser humano. No dia 26 de fevereiro de 2025, recebemos uma mensagem de sua filha, Georgia: “Querido, notícia triste. Mamãe faleceu essa noite”. Um susto e uma tristeza tomaram conta de todos que souberam. Eduardo Jair Oliveira Pinto, ex-vendedor da Revista Ocas e eu fomos à sua despedida. Foi um momento muito forte, marcado pelo carinho de todos que estavam ali. Conversei com alguns vendedores da Revista Ocas, vendida nas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro, que gerava renda para pessoas com trajetória de rua. Maria Alice teve uma importância enorme na sobrevivência e até no fortalecimento do projeto. Ela cuidava, fortalecia e acompanhava voluntariamente alguns vendedores da Ocas. Aqueles que desejavam participavam, todas as segundas-feiras, de um momento terapêutico. Para Eduardo, que foi morador do Arsenal da Esperança, um albergue que acolhe pessoas em situação de rua, ter conhecido Maria Alice mudou sua vida: “Lá no Arsenal, eu vi um anúncio: ‘Precisa-se de vendedor da Ocas’. Vim para a rua Campos Sales, 88, e conheci o Marcos, que na época era atendente dos vendedores. Logo conheci Maria Alice e comecei a participar do psicodrama toda segunda-feira”, contou Eduardo. Para Sérgio Borges Carvalho, que foi vendedor da Ocas por oito anos e batalhou muito para superar suas dificuldades, aquele período foi decisivo: “Naquela época, todos os problemas pareciam ter caído nas minhas costas de uma vez só. Lutar pela vida, a gente tem que lutar para sobreviver, senão fica difícil”, relembra Borges. Na Ocas, ele iniciou um trabalho terapêutico para ajudá-lo no convívio e a melhorar suas vendas. Passou a participar dos encontros das segundas-feiras porque acreditava que ali poderia encontrar apoio para sua saúde mental. “Maria Alice sempre vai ser uma pessoa que, para mim, está viva. Maria Alice é sempre Maria Alice. Isso incentivou bastante a gente”, conclui. Walter Machado, frequentador assíduo das sessões de psicodrama que aconteciam no Centro Cultural — até mesmo antes de tentar vender a revista Ocas — passou também a participar de alguns encontros na Ocas. Sempre com presença marcante e personalidade forte, declarou: “Eu não sou terapeuta, melhor para mim, mas muita luz, Maria Alice Vassimon, na dimensão em que estiver.” Em 3 de novembro de 2025, Roberto Francisco de Oliveira Santos, vendedor fiel da Ocas, também fez sua passagem. Antes, deixou gravada uma fala sobre Maria Alice: “Eu não tenho religião, mas dizia sempre que a Maria Alice era um anjo que surgiu nas nossas vidas. Por tudo que ela proporcionou para nós, pela ajuda psicológica que nos deu. Ela também abriu o consultório dela, lá nas Perdizes, para fazer um atendimento mais individual”, concluiu Francisco. Junto com Roberto e Maria Alice, lembramos também de Pilar, Ruth e de outros vendedores da Ocas que tiveram sua importância nessa história coletiva. Maria Alice não foi apenas terapeuta. Foi ponte, foi escuta, foi coragem. Foi presença. E continua sendo, na memória viva de cada pessoa que ajudou a se reerguer. Maria Alice não foi apenas terapeuta. Foi ponte, foi escuta, foi coragem. Foi presença. E continua sendo, na memória viva de cada pessoa que ajudou a se reerguer. Na próxima edição, entrevista com Georgia Vassimon sobre a trajetória de sua mãe, Maria Alice.

  • Editorial - “Nós não estamos mortos”

    Arquitetura Hostil - Foto: Arquivo Rede Rua O ano de 2025 talvez tenha sido um dos mais cruéis para as pessoas em situação de rua. Não houve qualquer avanço nas políticas públicas — ao contrário, vimos retrocessos profundos em São Paulo e em tantas outras cidades do país. No centro da capital paulista, as pessoas em situação de rua simplesmente desapareceram, como se tivessem evaporado da noite para o dia. Mais tarde, fomos entendendo: estavam presas, internadas em comunidades terapêuticas, escondidas nos buracos de viadutos, empurradas para as periferias. As violações de direitos se multiplicaram: na Zeladoria Urbana, nas abordagens policiais, nos acolhimentos, e na própria rua, que devolve, diariamente, a violência que a sociedade despeja sobre quem menos tem. Não podemos nos calar sobre o que aconteceu com Jeferson de Souza, assassinado de forma brutal e covarde por dois policiais militares em 13 de junho. Para agravar ainda mais essa tragédia, por ser pobre, seu translado para Alagoas — autorizado pela Justiça após ação da Defensoria — ainda não ocorreu. Sua família ainda espera para dar a Anderson um último gesto de dignidade. Exigimos: enterro digno para Jeferson de Souza. Este foi também o ano do cercamento da cidade — com grades e flores. As grades representam uma ilegalidade flagrante diante da Lei Padre Júlio Lancellotti (Lei 14.489/2022), que proíbe a arquitetura hostil. Já as flores têm sido usadas como disfarce para burlar a lei: canteiros e estacionamentos surgem justamente onde pessoas em situação de rua buscavam abrigo contra a chuva, o sol, o vento — onde tinham, ao menos, a sensação de um teto de concreto. Os espaços de convivência e alimentação foram reduzidos drasticamente. A Casa Francisca, que atendia 350 pessoas, foi fechada. A distribuição de almoço na Estação Cidadania, que oferecia 600 refeições, acabou. O Núcleo de Convivência de Santo Amaro, que atendia 150 pessoas, também foi encerrado. Foi assim que terminamos o ano de 2025. A política de moradia não avançou um passo, a segurança alimentar e nutricional regrediu, os programas de trabalho tiveram retrocessos graves e a saúde só se precarizou com os CAPS sem estrutura e outros equipamentos de saúde que colocou a saúde mental de todos em alerta. Enfim, foi um ano duro. Duríssimo. Mas, apesar de tudo, a esperança não cala. Recebemos a mensagem de um querido companheiro do jornal, que reproduzimos aqui: “Só convidados, kits maravilhosos, festa para todo lado, carne, farofa, churrasco, kit higiene com absorvente para elas, em paróquias, evangélicas, espíritas, Centros POP, defensorias públicas, com ou sem o MNPR. Nós não estamos mortos e temos tido enormes conquistas. Até com o lixo bubônico do Bolsonaro tivemos conquistas! E ano que vem fecharemos as eleições com mais vitórias: o fim da escala 6x1, a Lei da Pop Rua e o programa de Locação Social via Lei da Função Social dos prédios ociosos”, escreveu Paulo César, o Paulo BH. Apesar de tudo, seguimos em frente porque, de fato, nós não estamos mortos. E não aceitaremos que nos matem!

  • 80 anos de gratidão e conversão

    Com um cobertor feito de retalhos de pano, Cristina recebe os convidados - Foto: Luiz Kohara Com uma grande festa e a presença de amigos e amigas, Cristina Bove celebrou, no dia 5 de dezembro, 61 anos junto aos brasileiros e 80 anos de seu nascimento. Especial para O Trecheiro, Luiz Kohara que esteve nas comemorações dessa importante data, juntamente com sua esposa, Carmela, conversou com ela.   Maria Cristina Bove Roletti, veio do Uruguai com 19 anos para trabalhar com pop rua e crianças e adolescentes que estavam nas ruas de Recife/PE, na Organização de Auxílio Fraterno – OAF, onde começou a fazer parte da Fraternidade das Oblatas de São Bento. Luiz Kohara - O que motivou a vida da jovem Cristina para o Brasil? Eu vim do Uruguai com 19 anos e vim em busca de conhecer melhor e poder partilhar a vida com aqueles que vivem a vida em situação de vulnerabilidade social. A partir daí eu fui me encantando e conhecendo também a comunidade das Oblata de São Bento e acabei me comprometendo com o grupo, com a comunidade e assumindo a vida religiosa.   Luiz Kohara - O que significa para você essa longa caminhada com as pessoas que estão em situação de rua? Caminhar junto com a população de rua e com os catadores/as de material reciclável foi um aprendizado na vida que me serviu para poder estar numa permanente dinâmica de conversão da vida. Cada vez que a gente vê a situação de desigualdade, injustiça e falta de possibilidade que a população vive, realmente temos que nos impactar e nos comprometer cada vez mais com o bem-estar, uma vida mais digna para as pessoas.   Luiz Kohara - Quais são os desafios daqui para frente? Os direitos ainda não acontecem! A gente percebe que com a população de rua e os catadores/as ainda tem muito para ser feito. Eles reivindicam, são pessoas que reivindicam e lutam pela vida e ainda não tem seus direitos garantidos. O direito à moradia, direito ao trabalho, direito à saúde.

  • “Moradia Primeiro, como direito fundamental”

    Relatório realizado aponta caminhos concretos para garantir moradia e dignidade à população em situação de rua. Luiz apresenta relatório em plenária do Fórum da Cidade de São Paulo em Defesa da População em Situação de Rua - Foto: Alderon Costa O pesquisador Luiz Kohara, em estudo realizado para o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, apresentou uma análise muito bacana sobre o modelo Moradia Primeiro, que propõe o acesso imediato à moradia como ponto de partida para a superação da situação de rua. Segundo ele, “ as políticas de moradia têm mais efetividade na vida das pessoas em situação de rua ”, pois a casa não tem que ter requisitos prévios, mas ser sim, um direito fundamental. O estudo mostra que a moradia digna, acompanhada de suporte social contínuo, é a base estruturante para a reinserção social e o exercício da cidadania. Em entrevista para O Trecheiro, Kohara reforça que para o bom funcionamento do modelo, monitoramento e articulação são essenciais. “É necessário um trabalho articulado dos outros setores - saúde, trabalho, renda, educação, assistência - porque a moradia é uma base, mas precisa desses outros setores ”, destaca Kohara. Foram analisadas experiências em Franca, Salvador, Florianópolis, Belo Horizonte e São Paulo, que comprovam que, ao garantir casa própria ou alugada com apoio técnico e acompanhamento, as pessoas retomam vínculos familiares, acessam serviços de saúde, voltam a estudar e trabalhar. O sentimento de segurança e pertencimento aparece como uma das principais transformações percebidas pelos beneficiários. A cidade de Franca recebe destaque especial no estudo. De acordo com Kohara, “ em Franca o trabalho é muito articulado, o que foi mostrando resultados, inclusive que o acesso à moradia para a população em situação de rua é mais barato ” em comparação com os abrigos. Para ele, a experiência demonstra que não apenas é possível implementar o modelo, como ele pode ser mais eficiente e econômico. Além das cidades brasileiras, o estudo analisou experiências internacionais do modelo Housing First , citando programas em Glasgow (Escócia) e Dublin (Irlanda), além de redes nacionais em Portugal, França, Bélgica e Espanha. Kohara destaca que ações emergenciais e assistencialistas isoladas se mostram insuficientes, e defende que o Moradia Primeiro seja consolidado como política pública permanente, com dotação orçamentária e participação ativa das pessoas em situação de rua em todas as etapas. O estudo aponta que a estabilidade de um lar é o primeiro passo para reconstruir vidas, e não o último.   “É possível Housing First no Brasil? experiências de moradia para população em situação de rua na Europa e no Brasil” Relatório: https://bibliotecadigital.mdh.gov.br/jspui/handle/192/1701

  • Mãos que alimentam!

    Ação Social Irmã Dulce na região de Heliópolis Nos últimos anos a gravidade e precariedade de vida de tantas pessoas em situação de rua despertou a solidariedade de muitas comunidades em diferentes pontos da cidade de S. Paulo. Todas as quintas feiras à noite um grupo ligado às paróquias Sta. Edwiges e Sta. Paulina, na região de Heliópolis, se dirige à Baixada do Glicério. Tudo se inicia com um bate papo com as pessoas que aguardam e jogos e brincadeiras com as crianças que se juntam no local. Em seguida acontece a distribuição. A preparação já começa na noite de quarta-feira e se estende à tarde de quinta, onde cerca de 13 pessoas preparam a comida, uma vez na comunidade Santo Antônio e outra na Santa Ângela. Jonata Schneider, estudante de teologia Redentorista e um dos coordenadores do projeto explica que a Ação social irmã Dulce nasceu da iniciativa de comunidades que embora pobres sentiram a necessidade de acolher o apelo de gente que tem fome em uma cidade que vive na opulência. Os Missionários Redentoristas, a partir da comunidade de teologia que se situa no Ipiranga, acolheram a iniciativa e ofereceram “apoio material e motivacional para esta missão”. Não é apenas comida, queremos “trazer os nossos sonhos, a nossa partilha de vida e esperança para as pessoas que necessitarem”, completa Jonata. A opção inicial foi estar próximo da Sé, mas como a Prefeitura de S. Paulo com sua política higienista impedia a distribuição nas imediações, se dirigiram ao Glicério, bairro da área central de São Paulo. É uma oportunidade para incentivar o povo a lutar, exigir e os seus direitos. “Tentamos um modo de presença significativo, mas sabemos que a solução começa com políticas públicas adequadas", conclui Jonata. Para Leia Ribeiro e Kelly Diana de Souza é importante o sabor e a qualidade nutritiva da comida. “Aqui a gente come melhor do que em casa”. Para Virginia Bueno, da comunidade Santa Ângela, o propósito é trabalhar por “mais solidariedade, mais justiça e responsabilidade afetiva social". Luis Davi, da comunidade Sto. Antônio afirma que vir semanalmente na Baixada do Glicério “é um ato de fé e solidariedade”. E espera dos políticos um outro olhar em relação às pessoas em situação de rua. A partilha, segundo ele, “é um ato de esperança de que o mundo irá melhorar”.

  • Dispersão das Pessoas em Situação de Rua

    Solidariedade resiste ao avanço da população em situação de rua em Paraisópolis Membros da Pastoral de Rua Santa Dulce dos Pobres - Foto Rinaldo Santos Nos últimos meses, Paraisópolis, bairro da região sul de São Paulo, vem registrando um aumento visível de pessoas em situação de rua circulando pela comunidade. Moradores relatam que esse crescimento teria se intensificado após ações de dispersão na região central de São Paulo, especialmente na região da Luz. Embora não haja confirmação oficial sobre a origem desse fluxo, a presença de novas pessoas, muitas sem vínculos com o território, chama à atenção e evidência a ausência de políticas públicas permanentes de cuidado e acolhimento. Diante desse cenário, o Jornal O Trecheiro acompanhou uma ação da Pastoral de Rua Santa Dulce dos Pobres, da Paróquia São José. Fundada em 2019, a pastoral realiza, todas as terças-feiras, a distribuição de alimentos para pessoas em situação de rua em Paraisópolis e no centro da cidade de São Paulo. O trabalho começa toda terça-feira, por volta das 14h, quando os voluntários se reúnem para separar doações, organizar os legumes e iniciar o preparo da sopa. “Eu, na minha infância passei muita dificuldade e hoje tenho respeito”, conta Hélio Silva Cunha, um dos articuladores da pastoral. Atualmente, cerca de 500 pessoas são atendidas somando os dois territórios. Por volta das 18h, as equipes saem para a distribuição. Em Paraisópolis, a fila chega a quase 100 pessoas, entre pessoas em situação de rua e famílias em situação de vulnerabilidade, muitas com crianças. Além da sopa, são distribuídos café, café com leite, pão e suco. Uma das áreas atendidas é conhecida como “bicão”, um espaço que nunca foi urbanizado. Segundo Maria Betânia Mendonça, agente da pastoral, cerca de 40 pessoas vivem hoje no local, em barracos improvisados. “Eles pegam um pedaço de madeira para não dormir ao relento... numa situação precária mesmo, né? A dependência química é muito grande.”, relata. Além do alimento, a ação oferece oração, conversa, escuta e presença. “amor, dedicação, fazer as coisas com carinho”, afirma a voluntária Francisca Andreia da Silva. A atividade segue até cerca de 22h, alcançando diferentes pontos da comunidade.

CONTATO

Nossa missão é contribuir para a construção de uma rede de relações, que promova o resgate dos direitos e da vida digna da população em situação de rua.

Rua: Sampaio Moreira, 110 - Brás

São Paulo - SP, 03008-010

Tel: (11) 3311-6642

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