Dispersão das Pessoas em Situação de Rua
- Rinaldo Santos
- 14 de jan.
- 2 min de leitura
Solidariedade resiste ao avanço da população em situação de rua em Paraisópolis

Nos últimos meses, Paraisópolis, bairro da região sul de São Paulo, vem registrando um aumento visível de pessoas em situação de rua circulando pela comunidade. Moradores relatam que esse crescimento teria se intensificado após ações de dispersão na região central de São Paulo, especialmente na região da Luz. Embora não haja confirmação oficial sobre a origem desse fluxo, a presença de novas pessoas, muitas sem vínculos com o território, chama à atenção e evidência a ausência de políticas públicas permanentes de cuidado e acolhimento.
Diante desse cenário, o Jornal O Trecheiro acompanhou uma ação da Pastoral de Rua Santa Dulce dos Pobres, da Paróquia São José. Fundada em 2019, a pastoral realiza, todas as terças-feiras, a distribuição de alimentos para pessoas em situação de rua em Paraisópolis e no centro da cidade de São Paulo.
O trabalho começa toda terça-feira, por volta das 14h, quando os voluntários se reúnem para separar doações, organizar os legumes e iniciar o preparo da sopa. “Eu, na minha infância passei muita dificuldade e hoje tenho respeito”, conta Hélio Silva Cunha, um dos articuladores da pastoral. Atualmente, cerca de 500 pessoas são atendidas somando os dois territórios.
Por volta das 18h, as equipes saem para a distribuição. Em Paraisópolis, a fila chega a quase 100 pessoas, entre pessoas em situação de rua e famílias em situação de vulnerabilidade, muitas com crianças. Além da sopa, são distribuídos café, café com leite, pão e suco.
Uma das áreas atendidas é conhecida como “bicão”, um espaço que nunca foi urbanizado. Segundo Maria Betânia Mendonça, agente da pastoral, cerca de 40 pessoas vivem hoje no local, em barracos improvisados. “Eles pegam um pedaço de madeira para não dormir ao relento... numa situação precária mesmo, né? A dependência química é muito grande.”, relata.
Além do alimento, a ação oferece oração, conversa, escuta e presença. “amor, dedicação, fazer as coisas com carinho”, afirma a voluntária Francisca Andreia da Silva. A atividade segue até cerca de 22h, alcançando diferentes pontos da comunidade.




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