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Editorial - “Nós não estamos mortos”

Arquitetura Hostil - Foto: Arquivo Rede Rua
Arquitetura Hostil - Foto: Arquivo Rede Rua

O ano de 2025 talvez tenha sido um dos mais cruéis para as pessoas em situação de rua. Não houve qualquer avanço nas políticas públicas — ao contrário, vimos retrocessos profundos em São Paulo e em tantas outras cidades do país.

No centro da capital paulista, as pessoas em situação de rua simplesmente desapareceram, como se tivessem evaporado da noite para o dia. Mais tarde, fomos entendendo: estavam presas, internadas em comunidades terapêuticas, escondidas nos buracos de viadutos, empurradas para as periferias. As violações de direitos se multiplicaram: na Zeladoria Urbana, nas abordagens policiais, nos acolhimentos, e na própria rua, que devolve, diariamente, a violência que a sociedade despeja sobre quem menos tem.

Não podemos nos calar sobre o que aconteceu com Jeferson de Souza, assassinado de forma brutal e covarde por dois policiais militares em 13 de junho. Para agravar ainda mais essa tragédia, por ser pobre, seu translado para Alagoas — autorizado pela Justiça após ação da Defensoria — ainda não ocorreu. Sua família ainda espera para dar a Anderson um último gesto de dignidade. Exigimos: enterro digno para Jeferson de Souza.

Este foi também o ano do cercamento da cidade — com grades e flores. As grades representam uma ilegalidade flagrante diante da Lei Padre Júlio Lancellotti (Lei 14.489/2022), que proíbe a arquitetura hostil. Já as flores têm sido usadas como disfarce para burlar a lei: canteiros e estacionamentos surgem justamente onde pessoas em situação de rua buscavam abrigo contra a chuva, o sol, o vento — onde tinham, ao menos, a sensação de um teto de concreto.

Os espaços de convivência e alimentação foram reduzidos drasticamente. A Casa Francisca, que atendia 350 pessoas, foi fechada. A distribuição de almoço na Estação Cidadania, que oferecia 600 refeições, acabou. O Núcleo de Convivência de Santo Amaro, que atendia 150 pessoas, também foi encerrado. Foi assim que terminamos o ano de 2025.

A política de moradia não avançou um passo, a segurança alimentar e nutricional regrediu, os programas de trabalho tiveram retrocessos graves e a saúde só se precarizou com os CAPS sem estrutura e outros equipamentos de saúde que colocou a saúde mental de todos em alerta.

Enfim, foi um ano duro. Duríssimo.

Mas, apesar de tudo, a esperança não cala. Recebemos a mensagem de um querido companheiro do jornal, que reproduzimos aqui:

“Só convidados, kits maravilhosos, festa para todo lado, carne, farofa, churrasco, kit higiene com absorvente para elas, em paróquias, evangélicas, espíritas, Centros POP, defensorias públicas, com ou sem o MNPR.

Nós não estamos mortos e temos tido enormes conquistas. Até com o lixo bubônico do Bolsonaro tivemos conquistas!

E ano que vem fecharemos as eleições com mais vitórias: o fim da escala 6x1, a Lei da Pop Rua e o programa de Locação Social via Lei da Função Social dos prédios ociosos”, escreveu Paulo César, o Paulo BH.

Apesar de tudo, seguimos em frente porque, de fato, nós não estamos mortos. E não aceitaremos que nos matem!


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