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“Ela conseguia olhar coisas coloridas”

Entrevista com Georgia Vassimon sobre sua mãe, Maria Alice


Georgia Vassimon, filha de Maria Alice (foto Alderon Costa)
Georgia Vassimon, filha de Maria Alice (foto Alderon Costa)

Custódio, Cecília, Maria Alice, Ana Maria, Custódio (filho) e Maurício. Poderia ser uma foto de família. Nesta foto estão presentes os pais de Maria Alice, sua irmã e seus 2 irmãos. Depois temos a outra foto. Maria Alice Vassimon, Sérgio Gomes Vassimon, Georgia, Guilherme. Poderíamos seguir com estas fotos até chegar nas famílias dos filhos e de todos os grupos que ela de certa forma gerou: GETEP, ECOS, OCAS e tantas outras.


No dia 26 de fevereiro, fez um ano que ela partiu. O jornal O Trecheiro gravou uma entrevista com sua filha Georgia Vassimon, educadora, psicopedagoga e, atualmente, parte da diretoria do Instituto Sedes Sapientiae.


O Trecheiro:

Quem foi Maria Alice?


Georgia:

A minha mãe vem de uma família com algumas posses e viviam no Rio de Janeiro. Teve uma oportunidade incrível de estudar fora. Naquela época, não era uma coisa comum. Fez o fundamental na França e teve uma oportunidade de estar nos Estados Unidos. É interessante você pensar que é uma pessoa que teve várias oportunidades. Aí resolveu casar-se com um comunista cinco estrelas (Sérgio Gomes Vassimon), que é assim que a gente brinca.

Tivemos uma vida muito regrada, muito organizada porque eles eram bem certinhos nas coisas. Acho que a relação deles era uma relação muito generosa. Ela foi fazer faculdade e a gente era pequeno. Ela trabalhava numa escola e meu pai ficava tomando conta da gente.

Maria Alice
Maria Alice

Logo que ela terminou os estudos, foi trabalhar no Colégio Nossa Senhora do Morumbi, que era uma escola ligada à rede do SEDES.

Então fez psicodrama, montou o curso do GETEP e o próprio GETEP. Esse ano deve estar fazendo 52 anos e ela foi fundamental na construção desse espaço. Ela criou também o Caracol, que era uma escola de arte e tinha vários amigos.

A minha mãe sempre foi uma pessoa que gostava de juntar pessoas. Ela foi sempre uma pessoa, eu diria, precursora. Ela montou o GETEP e a psicopedagogia do SEDES.


O Trecheiro:

Maria Alice também teve uma relação forte com a periferia. Ela fala dos mal vistos, dos invisibilizados.


Georgia:

Eu fui conversar com o psiquiatra dela do final de vida e ele ficou muito entristecido porque tinha uma conversa muito boa com ela. Ele falou assim, “Geogia, eu nunca vi alguém que se entregava na relação com o outro com tanta intensidade.” Então, acho que a minha mãe fazia isso, sim, com todo mundo, mas com uma preocupação histórica com as pessoas, sim, da periferia e, acho que aí a gente vai vendo todo o movimento dela.

O GETEP já existia, teve um trabalho na favela Manoel Assom, na época. A dona Eunice era uma liderança nessa favela e a mamãe ia lá. Ela criou uma escola na casa da dona Eunice para as crianças que ficavam lá meio sozinhas.

O pessoal do GETEP, como um todo, foi para esse lugar e conversava com a dona Eunice.

Antes da dona Eunice ela fez um trabalho na Cidade Patriarca com mulheres. Assim, a mamãe sempre tinha esse olhar.

Ela sempre teve essa coisa de ir conectando as pessoas e tirando um pouco os preconceitos. O taxista que levava ela na Ocas devia achar que ela era um pouco maluquinha, mas ele começou a olhar o mundo de outro jeito. “Puxa, que bacana que as pessoas estão mudando de vida de alguma forma, vendendo Ocas”.


O Trecheiro:

E o GETEP na vida da sua mãe?


Georgia:

Foi o momento que ela fez psicodrama. Na época, a intenção já era na direção de como a gente melhora a educação no país, de olhar para as pessoas que não tinham condições. Então, acho que esse é um lugar que ela sempre olhou. O GETEP nasce nesse desejo e ela aglutinou pessoas da época que ou fizeram o curso ou estiveram com ela de alguma maneira. O GETEP teve muito essa função de trabalhar com as equipes, com os grupos, enfim, de formar pessoas.


O Trecheiro:

Um aprendizado com sua mãe.


Georgia:

Olhar para todos de igual qualidade e uma alegria, minha mãe era uma pessoa muito alegre. Ela sempre trazia coisas muito divertidas. Ela conseguia olhar coisas coloridas. Talvez a vida fosse bem mais colorida.



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