“Escritos do Asfalto”
- Luciana Marin Ribas

- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Livro lançado por Samuel Rodrigues no encontro de planejamento do Comitê Nacional Pop Rua Jud (9/03), onde separou um tempinho para conversar com o jornal O Trecheiro

Como você descreve sua trajetória e relação com a rua?
Minha trajetória e minha relação com a rua se misturam. Eu nasci em 1968, no interior, num lugar muito pobre, onde só fui ter energia elétrica aos oito anos. Comecei a trabalhar cedo, com 13 anos, em serviços sazonais. Também tive conflitos familiares — minha mãe era católica praticante e meu pai, protestante da Assembléia de Deus. Saí de casa e não voltei mais. Vivi muitas violências institucionais e sociais, discriminação e violações de direitos. A rua marcou profundamente minha vida, inclusive um período no sistema prisional. Depois, já fora da rua, mantive uma relação forte com os movimentos e a rua organizada.

Como surgiu a ideia do livro ‘Escritos do Asfalto’?
A ideia veio das pessoas que sempre me incentivaram a escrever sobre minha história. Mas a poesia entrou na minha vida através da mobilização social. Durante a pandemia, nas ações do Canto da Rua, eu me vi escrevendo mais, participando de rodas, conversas, movimentos. Comecei a registrar minhas percepções e vivências. Fizemos sarau, divulgamos poesias na internet. Foram cinco anos de construção até que o livro se tornasse real.
Quem apoiou a construção do livro?
Muita gente. Meu companheiro Vanilson, Cristina Bove e Patrícia Antunes, que ajudou a organizar e dividir o livro em capítulos. A Arte Editora fez o trabalho gráfico. Muitas pessoas apoiaram financeiramente e emocionalmente. Houve dificuldades, problemas de saúde, desencontros, falta de recursos — mas superamos tudo com amizade e foco. Eu tinha claro que queria publicar o livro, e esse desejo foi o que nos manteve firmes.
Como você vê as políticas públicas de cultura para a população em situação de rua?
Vejo como algo ainda muito distante. Se políticas essenciais como moradia, saúde e trabalho já estão aquém, a cultura fica ainda mais esquecida. Há incentivos, mas são para toda a sociedade; nada específico para a população em situação de rua. Seria muito importante termos políticas culturais específicas: para escrever, montar teatro, produzir cultura. A rua é cheia de cultura, e isso deveria ser reconhecido.
Quais são seus planos daqui para frente?
Quero continuar escrevendo. Eu gosto muito de escrever — faço relatórios, atas, documentos. Quero divulgar mais o livro, vender, distribuir. Continuarei escrevendo poesias e textos, porque isso virou uma paixão para mim.
Serviço: Samuel Rodrigues
Instagram:
@samuelrodrigues3837
E-mail:
Valor:
O livro - R$ 50,00
com o envio - R$ 58,55.




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