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  • Seis são executados

    Na madrugada do dia 11 de maio de 2010, seis pessoas foram assassinadas a tiros na rua Anoriaçu em Jaçanã, na divisa entre São Paulo e Guarulhos, sendo que cinco morreram no local. Adriano de Jesus ainda baleado conseguiu fugir até um posto de gasolina próximo ao local, foi socorrido e encaminhado para o Pronto-Socorro Padre Bento, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A testemunha J. R. R., morador das proximidades do viaduto, relatou no Boletim de Ocorrência, que logo após os tiros, viu quatro homens fugirem em duas motocicletas em alta velocidade e não deu tempo de registrar as placas. De acordo com a Polícia Militar, as vítimas estavam debaixo do viaduto e foram alvejadas por balas atiradas. Para Anderson Lopes Miranda, da coordenação nacional do MNPR e ex-morador de rua, em entrevista ao jornal O Trecheiro disse que “mais uma vez é doloroso para o Movimento que vem lutando por uma cidade melhor, sentir que não há interesse em consolidar os direitos dessa população e matar esse pobre, esse morador de rua. Será que acabar com a pobreza é matar o pobre ou é incluí-lo na política pública? Para padre Júlio Lancellotti, o tratamento dado às pessoas em situação de rua é sempre violento e cada vez mais se agudiza. “Esse massacre tem muita semelhança e faz lembrar o “Massacre da Sé”, que aconteceu entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004. Ele mostra que a impunidade leva a novas ações e que esta onda de violência que atinge a cidade e o estado, atinge de maneira ainda mais cruel a população de rua. Chama a atenção, que cidade parece ser feita de camadas e que estas não se relacionam. Existe uma cidade formal e oficial e existe uma cidade real. O povo da rua está na cidade real. A cidade formal, oficial e institucional não atinge essa cidade real”, disse padre Júlio. Até o fechamento desta edição ainda não havia a identificação de todos os corpos e nem a identificação dos assassinos.   GCM tenta intimidar do Povo da Rua No dia 20 de maio, aconteceu "O Ato do Povo da Rua", uma manifestação das pessoas em situação de rua da cidade São Paulo contra a violência, agressão e mortes e por políticas públicas. Logo cedo, um grupo de 50 pessoas encontraram-se embaixo do viaduto da Vila Galvão, na divisa de Guarulhos e São Paulo para uma celebração ecumênica. Foi lembrado que, naquele espaço, no dia 11 de maio, foram executadas seis pessoas em situação de rua. Assim, foram fincadas sete cruzes, como sinal de compromisso e visibilidade das seis mortes e a sétima em memória do massacre de 2004. Às 9 horas, na Praça da Sé, estavam reunidas, aproximadamente, 800 pessoas que caminharam, em seguida, da Praça da Sé à Câmara Municipal. Ao passar pela sede da Prefeitura de São Paulo, funcionários da Guarda Civil Metropolitana começaram a filmar a manifestação. Segundo representante do Movimento Nacional da População de Rua, aquele fato representava uma forte intimidação e criticou a iniciativa da GCM. No final, a manifestação foi recebida na Câmara Municipal por vereadores que compõem a “Frente Parlamentar em Defesa do Cidadão em Situação de Rua”.   Edição N° 188 - Junho de 2010

  • Frente Parlamentar foi instalada em São Paulo

    Em agosto de 2009, foi aprovada a Frente Parlamentar em Defesa do Cidadão em Situação de Rua na Câmara Municipal de São Paulo, após período de articulação e mobilizações dos movimentos nacional e estadual das pessoas em situação de rua na cidade.   A Frente foi instalada no dia 15 de abril de 2010, tendo como presidente, o vereador Chico Macena (PT), como relator, o vereador Netinho de Paula (PC do B) e como vice-presidente, a vereadora Sandra Tadeu (DEM), com o objetivo, primordial de avaliar a política de atendimento da população de rua na cidade de São Paulo estabelecida pela Lei 12.316/97. No dia 29 de abril, houve a primeira reunião com a presença de autoridades do Ministério Público, vereadores, participantes dos respectivos movimentos sociais ligados à rua, militantes e apoiadores de organizações sociais. Anderson Lopes Miranda do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) disse que a “Frente é uma conquista das lutas da população em situação de rua e veio para cobrar a lei 12.316/97. O descaso dos governantes não acontece só em São Paulo, mas em outras cidades brasileiras”. Para José Henrique Demarques, a importância da Frente “é a implantação da Lei, a pressão aos secretários para as ações e a cobrança dos resultados do censo realizado em 2009 em São Paulo”. O vereador Chico Macena (PT) informou que as próximas reuniões da Frente acontecerão às terças feiras, juntamente com a reunião da Comissão em Defesa da Criança e Adolescente, porque esta Comissão tem o poder de convocar representantes do executivo e a Frente não. Dentre as atividades, a Frente vai ouvir organizações sociais e pessoas em situação de rua para aprofundar o conhecimento de suas necessidades e condições de vida e fazer caminhada pelas ruas da cidade. Os secretários municipais, Alda Marco Antonio (Smads) e Daniel Ortega (Segurança Urbana) foram convidados a participar da segunda reunião da Frente que será dia 11 de maio às 10 horas na Câmara Municipal. “É importante esse momento porque firma a luta da população de rua, fortalece os movimentos que estão um tempão batalhando por esta Frente Parlamentar e ela não é mérito dos vereadores. Precisamos estar mais unidos porque a luta é uma só, uma causa só e conhecemos essa bandeira juntos”, disse Sebastião Nicomedes, escritor da rua. Robson César Mendonça, coordenador do Movimento Estadual fala que os poderes públicos estão sedados. “A Frente Parlamentar é uma oportunidade de dar uma chacoalhada, para que o poder municipal consiga ver a população de rua não como aquela que apanha calada, mas está disposta ao diálogo. Espera que a Lei seja aplicada para que haja inserção das pessoas em situação de rua nas políticas públicas”, finalizou Robson. Além dos vereadores, compuseram a mesa: padre Júlio Lancellotti, Sebastião Nicodemos, escritor; Anderson Lopes Miranda, coordenador no Movimento Nacional da População de Rua; Robson Mendonça, coordenador do Movimento Estadual da Pessoa em Situação de Rua, Eduardo Ferreira Valério, promotor público e Carlos Henrique Loureiro, defensor público (Núcleo Habitação). Edição N° 187 - Abril e Maio de 2010

  • Seminário Internacional de Metodologias

    Nos dias 11 e 12 de maio de 2010, foi realizado o Seminário Internacional de Metodologias para Pesquisas sobre População em Situação de Rua no Rio de Janeiro por iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A experiência internacional ficou a cargo dos Estados Unidos ( www.census.gov ) e Austrália ( www.abs.gov.au ) que, desde o final da década de 1970, vem aperfeiçoando metodologias para a contagem oficial dos chamados homeless. Nessa categoria estão incluídos as pessoas em situação de rua, os semteto e os moradores de habitações precárias. Para isso fizeram uma exposição bem detalhada de como realizam e inovam de dez em dez anos essa contagem. Estes dois países já mantêm relações recíprocas de aprendizado e de colaboração com o Brasil. Outras cidades brasileiras apresentaram estudos e pesquisas realizados desde a década de 1990, tais como Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e São Paulo, além da exposição da Pesquisa Nacional realizada em 2007-2008 em 71 municípios brasileiros. O site/portal do MNPR está em construção e estará no ar ainda neste semestre. Lá estarão as pesquisas e estudos realizados nestas cidades. Foram apresentadas, também, as características do censo demográfico brasileiro para conhecer as metodologias tradicionais do IBGE e traçar paralelos com outras metodologias específicas exigidas para a contagem das pessoas em situação de rua. Os objetivos desse seminário foram os de compartilhar experiências e metodologias utilizadas nas contagens e estudos. Mesmo assim, alguns resultados pode-se depreender, de forma evidente, como o envelhecimento das pessoas em situação de rua e a presença perversa do crack que torna ainda mais difícil a situação dos que moram nas ruas. A propósito, o preconceito já existente de que nas ruas estão os desocupados, com a dependência química as pessoas ficam no limite da pobreza e delinquência aos olhos da sociedade. E nada ou quase nada é feito. Uma das conclusões desse seminário é a necessidade de que as pesquisas indiquem caminhos concretos para as políticas públicas. Desde janeiro, o CiampRua e o IBGE mantiveram conversações que terminaram por definir este seminário internacional como um primeiro passo. Os seguintes passos dizem respeito à alocação de recursos financeiros no orçamento (prazo: junho 2010) para iniciar as pesquisas e estudos para inclusão da população em situação de rua no Censo 2020 e a formação de um grupo de trabalho. Ficou prevista uma oficina sobre a definição do quem é a população de rua para setembro deste ano. Para Anderson Lopes Miranda, da coordenação nacional do MNPR, “a inclusão das pessoas em situação de rua na contagem oficial do IBGE traz à tona a visibilidade de quem está nas ruas, resgata a cidadania e conscientiza a sociedade para políticas públicas de igualdade”.   Edição N° 188 - Junho de 2010

  • Ocupações marcam semana de reivindicações por moradia digna

    Cerca de 700 pessoas da Frente de Luta por Moradia (FLM) fizeram, por cinco dias, do Viaduto do Chá seu lar. O acampamento, feito na madrugada de segunda-feira (26/04), foi completo. Colchões, cobertores, uma cozinha e até um banheiro foi montado. Tudo isso para reivindicar aos governos municipal, estadual e federal condições dignas de habitação para a população de baixa renda. Para um dos coordenadores da FLM, Osmar Borges, a saída para o déficit habitacional e para os graves problemas de São Paulo não será encontrada apenas por um dos governos. “Sabemos que este esforço deve ser de todos os níveis”. A maior parte dos acampados foram despejados da ocupação Alto Alegre, em São Mateus, em outubro do ano passado. Depois do despejo, as famílias foram morar na calçada em frente à antiga ocupação. Depois de receberem atendimento emergencial por quatro meses, as famílias voltaram a ficar sem nenhum tipo de atendimento. Fernanda Evangelista, 24 anos, ex-moradora do Alto Alegre, faz um desabafo. “A lei não funciona para pessoas de baixa renda, por este motivo saímos às ruas para mostrar que temos força e garra para reivindicar”. Depois de negociações feitas com os três níveis de governo e com a Caixa Econômica Federal, as famílias deixaram o viaduto. Terão atendimento emergencial prorrogado. Além disso, saíram com a promessa de que a CDHU deve estudar a possibilidade de desapropriação do terreno, de 34 mil metros quadrados, que havia sido ocupado em São Mateus. Se ocorrer a desapropriação, o Ministério das Cidades se comprometeu a entrar com o programa Minha Casa, Minha Vida para a construção das moradias. “Sabemos que este é apenas o início de um longo processo. A luta está apenas começando”, afirma Borges.   Ações A ocupação do Viaduto do Chá fez parte de uma série de ocupações da FLM na madrugada da segunda-feira. Outros dois edifícios no centro da cidade foram ocupados, nas avenidas Prestes Maia e 9 de Julho, além de um terreno no bairro M’Boi Mirim, Zona Sul. Segundo a coordenadora do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC), Ivanete Araújo, em apenas uma semana de ocupação na Prestes Maia, a coordenação da ocupação recebeu o pedido de cerca de 100 famílias que estão em situação de rua ou em condições precárias de moradia, como cortiços, para se juntar à ocupação. “Isso mostra que a quantidade de pessoas que não tem um lugar decente para morar é muito grande”, afirma Ivanete.   Edição N° 187 - Abril e Maio de 2010

  • Mulheres ocupam espaço e pressionam poder público

    Representantes do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) visitaram a Cooperativa Catamare em apoio à ocupação de um galpão para reciclagem de materiais reaproveitáveis. Representantes do MNPR participavam da I Feira Nacional da Gestão Estratégica e Participativa da Saúde, promovida pelo Ministério da Saúde de 30/6 a 4/7, em Brasília, e aproveitaram a oportunidade para conhecerem a cooperativa e apoiarem a coordenadora Antonia Cardoso Abreu, membro do MNPR. A cooperativa fica na cidade satélite de Ceilândia Norte. Antonia Cardoso Abreu, 35 anos, de Terezinha (Piauí) foi para Brasília, em 2000, para, segundo ela, tentar se refugiar da miséria. Ao chegar à Capital Federal, sua situação piorou. “Daí que eu descobri que se passar um problema não adianta fugir deles. Eles vem para a gente sentar, parar, pensar, encarar e resolvê-los”, declarou Antonia. Primeiro, começou dividindo o aluguel com um rapaz, pai de seus três filhos. Depois, não deu mais conta de pagar o aluguel sozinha e foi despejada. “Não vi outra opção a não ser morar numa ocupação”. E na luta pela sobrevivência, Antonia descobriu na reciclagem uma maneira honesta e criativa para cuidar de seus filhos e gerar renda para mais de 75 famílias. Segundo Lúcia Lopes, assistente social e professora da UnB, o que essas mulheres estão fazendo, atualmente, é parte de um longo processo de luta. “Conheci Antonia, em 2005, quando estava no MDS e trabalhava com a população em situação de rua e com catadores de materiais recicláveis. Convidei-a para participar do I Encontro Nacional sobre População em Situação de Rua, representando o DF. Naquele momento, o grupo ao qual ela pertencia estava reunido na Cooperativa Cataguar e, também, lutava por moradia”, lembra Lúcia. Nessa época, Antonia estava morando na ocupação da Rua Vida Feliz na cidade satélite Guará II e formaram um grupo de catadores, posteriormente, removidos do Guará para a Ceilândia. Apesar disso, o grupo continuou junto e formou, em 2005, a Catamare para trabalhar com a catação. “Nós fazíamos a catação na rua e trazíamos para um lote de uma das cooperadas, que nos emprestou por dois anos e sete meses para fazermos a separação”, lembra Antonia. Sem a possibilidade de continuar no lote, o grupo começou a procurar outro espaço e a negociar com o Governo do Distrito Federal (GDF) uma área para realizar a reciclagem. A Catamare luta há muito tempo junto ao GDF por um espaço e o grupo encontrou, próximo ao local atual um galpão abandonado. Provavelmente seja da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Segundo Antonia, “quem construiu esse espaço não conhecemos, mas estava desocupado, abandonado, cheio de lixo e como a gente trabalha com reciclagem, estávamos na necessidade e sem espaço para trabalhar decidimos ocupá-lo”. As 35 mulheres que trabalham no local afirmaram estar dispostas a negociar. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Dados de Brasília da Pesquisa Nacional da População em Situação de Rua realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em 2007/2008. Foram identificadas 1.734 pessoas em situação de rua; • A população em situação de rua é predominantemente masculina (78,5%). • Mais da metade (60,3%) das pessoas em situação de rua adultas entrevistadas se encontra em faixas etárias entre 25 e 44 anos. • 47,5% não concluíram o primeiro grau. • 39,5% das pessoas em situação de rua se declararam pardos. Declararam-se pretos 28,3% e se declararam brancos 24,5%. • Os principais motivos pelos quais passaram a viver e morar na rua referem-se ao desemprego (14,8%); alcoolismo e/ ou drogas (9,7%) e problemas com familiares (7,1%). Porém 43,1% não responderam a esta questão. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Edição N° 189 - Julho de 2010

  • Continua a investigação da chacina no Jaçanã em SP

    No dia 6 de julho, ocorreu um encontro do dr. Ivair Augusto Alves dos Santos, coordenador do Comitê Intersetorial de Políticas para a População de Rua pela Secretaria de Direitos Humanos, do padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo e da dra. Michael Nolan, do Condepe com o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), dr. Marco Antonio Desgualdo para obter informações sobre a chacina do dia 11 de maio de 2010, no Jaçanã, zona norte de São Paulo, onde morreram 6 pessoas e apenas uma sobrevivente. Segundo informações do padre Júlio que acompanha o caso pela Arquidiocese de São Paulo, todos que foram identificados tiveram seus enterros acompanhados por familiares, apenas um que não foi identificado. Uma das vítimas é uma mulher que continua internada e está sob proteção policial. Segundo dr. Desgualdo, as investigações estão avançando e ele acredita que em breve terá novidades sobre o caso. O grupo propôs outro encontro dentro de um mês, o que foi prontamente aceito pelo delegado do DHPP.   ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Pessoas assassinadas na chacina do Jaçanã + Manoel do Nascimento Batista Cerqueira Junior, 27 anos. + Reinaldo Rodrigues Ananias, 26 anos. + Leandro Jesus de Oliveira, 27 anos. + Adriano de Jesus – deu entrada no hospital e faleceu em seguida. + Daniel Barbosa de Oliveira, 27 anos. + Vítima não identificada – cor parda – 1,70m, 25 a 30 anos. + MHS – sobrevivente, continua em tratamento e sob proteção. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

  • Ponto Cultural OCAS identifica resultados

    O Ponto Cultural Ocas é um projeto coletivo da Organização Civil de Ação Social (OCAS), Projeto Metuia – Curso de Terapia Ocupacional (USP) e Associação Rede Rua.   Este projeto tem por objetivos fortalecer programas e atividades dessas três organizações, valorizar o trabalho dos artistas da região e seus saberes diversos e estimular o protagonismo de seus participantes, além de colaborar com sua capacitação, acompanhar e criar possibilidades de saídas das ruas.   No primeiro semestre deste ano, tivemos oficinas de texto, fotografia, teatro e informática. Foi uma experiência muita rica. Contamos com a presença de participantes dos diversos projetos, moradores do bairro e de outras regiões da cidade. Pela avaliação pudemos perceber avanços. Apenas para citar um exemplo, tivemos a experiência de verificar que pessoas que não sabiam ligar um computador, hoje escrevem e enviam seus textos pela internet. Conquistamos, também, novos vendedores da revista OCAS", descobrimos talentos artísticos e aprendemos com as diferenças de cada um. Em agosto, novas turmas serão formadas para as oficinas de Informática, Teatro, Fotografia, e Criação de Texto, que são gratuitas, abertas e duram três meses.   Contamos com a participação de todos!   Edição N° 189 - Julho de 2010

  • “Nem olham na sua cara”

    Moradores de rua de Curitiba contam sobre a truculência da polícia, as drogas e a indiferença dos curitibanos.    Conhecida como cidade “ecologicamente correta”, por ter uma população “educada” para a separação do lixo e em não jogar qualquer tipo de sujeira na rua, Curitiba é vista como Capital Social e reconhecida, internacionalmente, ela preocupação com o meio ambiente. Mas, nem tudo são flores, apesar das ruas da cidade com os singelos corredores floridos. Lá existem 2.773 pessoas morando em situação de rua. É um cenário crescente e que se mistura com as flores, a impecável limpeza e a falta de uma rede socioassistencial. Truculência O jovem Michael denunciou que um dia dormia embaixo do Viaduto da Estação Capanema, conhecido com “Viaduto da Anaconda” e foi acordado pela equipe da Fundação de Assistência Social (FAS) que queria levá-lo para tomar banho. “Eles nem oferecem café lá, não adianta nada, preferi ficar dormindo, já tinha ali meu café da manhã, não tinha porque ir para a FAS”. Ele conta que por causa da resistência em não querer ir tomar banho na Fundação, acionaram a polícia. “Chamaram a GCM e no local tinha eu mais uns cinco moradores de rua. Ao invés deles chegarem com respeito, ‘desceram a borracha’. Encostou, todo mundo na parede e deram choque nos ‘piá’”, denunciou Michael, e disse que o caso aconteceu há um ano. Os moradores de rua são abordados seja por lojistas ou policiais. “Geralmente a Polícia não deixa você se deitar em algum lugar. Expulsa do local, se não sair é espancado. Ir para albergue é muita dificuldade, demora muito para entrar e para sair”, contou Gilmar Aparecido Freitas, curitibano, oito anos morador de rua. Droga da rua Michael Leandro Ferreira, curitibano de 26 anos, há um ano estava na rua por causa das drogas. Ele disse que pela dependência química do crack, a família não confia mais nele e por isso foi buscar refúgio nas ruas. Estava em tratamento e teve “recaída”. De acordo com ele, a droga está nas ruas e é impossível viver sem ela. “Quem mora na rua, não tem como não usar drogas porque se fala muito dela”, relatou Michael.   Indiferença “Os curitibanos nem olham na sua cara”, contou Michael Ferreira. Pela experiência que vivencia, ele considera que para a população em Curitiba o morador de rua é considerado um lixo. “Você não é considerado pelo próprio conterrâneo como um ser humano. Você abre a boca para pedir um pão, não te olham nem na cara. Eu acho que eles pensam que, quem está na rua é lixo”, contou indignado. Gilmar Aparecido disse que a Prefeitura deveria construir mais um albergue e considera o único que existe uma “porcaria”. Fala que era preciso construir mais um enorme. Mas, considerando o mundial de futebol de 2014, em que Curitiba será uma das sedes, faz uma previsão: “É capaz de melhorarem só por causa da Copa”.     “Organizar é o nosso desafio”   Sandra Mancino é assistente social do Centro de Apoio das Promotorias de justiça e dos Direitos Constitucionais do Ministério Público (MP) do Paraná. Contribui com organização do Movimento Nacional de População de Rua em Curitiba.     O Trecheiro: Que denúncias chegam ao MP? “As principais estão relacionadas à violência física causada pelas abordagens nas ruas e do Resgate Social”.   O Trecheiro: Existe rede socioassistencial que atenda de forma diferenciada? “Não. Para alguns que conseguem emprego, por exemplo, falta uma rede social. O que acontece é que eles ficam no albergue com o público que chega à noite alcoolizado. Psicologicamente, fica muito difícil de segurar o entusiasmo da saída”.   O Trecheiro: Qual a sua avaliação dos serviços socioassistenciais em Curitiba? “Desde 2007, temos feito reuniões com o governo municipal para ampliar os serviços. Os próprios técnicos do albergue reconhecem que esse serviço deveria ser, apenas, porta de entrada mas, é o único programa que atende as pessoas em situação de rua. Temos insistido e o município está programando fazer algumas unidades regionalizadas do CREAS e construir redes solidárias de atendimentos sob a responsabilidade de ONGs”.   O Trecheiro: Quais sãos as dificuldades para a mobilização da população de rua? “São pessoas com bastante dificuldade de organizar a própria vida. Participar de um movimento de luta não é algo fácil, exige renúncias. O morador de rua tem uma luta diária. Lutam para comer hoje e não amanhã. E pensar que ele pode se organizar é nosso desafio”. Edição N° 190 - Agosto de 2010

  • Minha história de vida

    Nasci em 23 de dezembro de 1980, tenho 29 anos, sou pai de três filhos e vou contar um pouco da minha história. Pouco tempo depois que nasci, fui morar com meus avós paternos, pois meus pais havia se separado. Com 5 anos de idade, minha avó, Maria Jandira, veio a falecer e meu avô entrou em depressão e acabou sua vida naquele momento. Assim conheci meus avós maternos e passei a morar definitivamente com eles. Conheci meu outro irmão mais velho e minha mãe. Foi difícil essa fase. Aos 8 anos, passei a ir à escola. Lembro-me até o nome: Escola de Primeiro Grau João Ribeiro Ramos, em Sobral, Ceará. No ano seguinte, mudamos de casa, e eu mudei de escola também. Cursei o antigo ginásio, até a 7ª série. Em 1999, acabei interrompendo os estudos por causa de problemas pessoais familiares. No ano seguinte, tomei uma decisão que iria mudar minha vida. Quebrei todos os laços com minha família, pois já estava cansado de tantas desavenças. Conheci uma mulher que iria mudar minha vida, a Adriana, uma pessoa ciumenta. Tão brava que parecia siri numa lata. Nesse ano, também, fui trabalhar numa empresa multinacional, a Grendene Calçados, na cidade de Sobral, onde logo fui demitido por causa de baixa produção da empresa. Com a demissão passei por dificuldade financeira.e quase me separei por causa disso. Eu não gostava que minha mulher trabalhasse e sempre dizia que era obrigação só minha. Ainda em 2001, consegui um trabalho de garçon que foi dando para levar. Em 2002, foi um ano que me marcou para sempre e não foi pelo penta da seleção brasileira, mas sim pelo nascimento de meu primeiro filho, Ivano. Estava morando com uma mulher que me valorizava, fui pai pela primeira vez. Eta muleque! É meu filho! E para completar, a Grendene me chamou de volta para trabalhar. Três anos depois comprei minha casa com muito suor e esforço. Em agosto desse ano nasceu minha filha Ivana Keyla, a gatinha mais linda da minha vida. Pouco tempo depois, estava já ficando chateado com minha mulher por causa do ciúme doentio dela e acabei fazendo besteiras, como farras e mulheres que resultaram na separação. No ano de 2006, conheci Ana Maria, com quem passei a viver. Ela trabalhava e era uma mulher cheia de opiniões. Ela odiava quando ia ver meus filhos e sem falar que suas amigas falavam mal de mim. Em 2007, estava sem trabalho, mantendo contato com os filhos e esperando a vinda de Geovanna Yngrid, minha primeira filha com Ana. Pensava que os problemas com as mulheres iriam parar, mas estava enganado. As dificuldades de relacionamento só aumentavam. Tomei uma decisão de ir embora de Sobral. Em dezembro de 2008, embarquei em um sonho chamado recomeço de vida e mudei para Fortaleza. Cheguei com a cara e a coragem. Conseguir um trabalho fixo, mas acabei não tendo êxito. Resultado: fui morar na rua. Fiquei de janeiro a abril de 2009, dormindo no papelão e debaixo de marquises até que uns anjos apareceram: Rodrigo, Sílvia e Cristiano. Todos eles funcionários do Centro de Apoio à População de Rua (CAPR) da prefeitura de Fortaleza. Eles me abordaram e disseram de um espaço em que eu poderia passar o dia, com direito a banho, alimentação e lavagem de roupas. Nesse espaço, descobri que existia uma casa nas proximidades que acolhiam pessoas, logo algo falou dentro de mim: “Vai atrás de saber disso, não pode deixar essa chance sumir”. Nessa casa tenho acompanhamento espiritual, alimentação e todos me tratam como gente. Estou falando da casa da Comunidade Shalom, que agora se chama Casa São Francisco. Em abril de 2010, recebi um convite para entrar no Movimento Nacional População de Rua (MNPR). No mesmo mês, ocorreu um seminário, onde fui o apresentador do evento por três dias. Depois fui eleito representante junto ao MNPR dessa galera tão sofrida de Fortaleza. Em 12 de julho de 2010, estou contando minha vida para quem interessar saber, não para aparecer, mas para mostrar que sou humano. Estou cansado de viver por nada, mas quero lutar e morrer por alguma coisa. Chega dessa mesmice! Edição N° 190 - Agosto de 2010

  • “Não somos caso de polícia”

    A população em situação de rua e a Polícia Civil de São Paulo realizaram, no dia 6 de agosto, o I Seminário da População de Rua e a Polícia Civil com o objetivo de promover o diálogo e a troca de experiência sobre a realidade das pessoas em situação de rua. O encontro foi na Academia de Polícia Civil (Acadepol) e contou com a presença do diretor da academia, Dr. Adilson José Vieira Pinto que reconhece que existem policiais que sabem atender bem e serem “solidários” com ricos e bonitos, mas que, também, terão que aprender a tratar com solidariedade os pobres e feios. “Temos que respeitar as diferenças e cumprir nosso papel, que é a defesa das instituições democráticas”, declarou Vieira. O Coordenador do Centro de Direitos Humanos da Acadepol, Dr. Tabajara Novazzi Pinto, defendeu que o policial precisa voltar seu olhar para a realidade daqueles que estão em situação de rua. “Nós fomos anestesiados pela ditadura, que nos disse que somos só repressão e nós acreditamos nisso”, declarou Novazzi. Para Anderson Lopes Miranda, do MNPR, a população de rua não é caso de polícia e defendeu no seminário que se acabe com a lei da vadiagem que tem criminalizado a população de rua. “Nós não somos caso de policia, nós somos a omissão do Estado”, conclui Anderson. A pesquisadora da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Sílvia Schor, apresentou o perfil da população de rua identificado na última pesquisa da cidade de São Paulo no final de 2009. Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, agradeceu a sensibilidade da polícia e destacou a importância de harmonizar as visões e participação da Guarda Metropolitana de Guarulhos e Osasco que estavam com, aproximadamente, 30 membros. “A população precisa conhecer esses dados (pesquisa apresentada), porque o morador de rua está no topo das queixas nos Conselhos de Segurança Comunitários (Consegs)”, afirmou Julio. Cleisa M. M. Rosa, representante do Fórum Permanente de Acompanhamento das Políticas Públicas para População em Situação de Rua, apresentou o histórico do aumento da população de rua e afirmou que, a situação em 1991 já apontava que 85% da população trabalhava para sobreviver e apenas 15% vivia do pedido. “Se ele não tiver um projeto de reconstrução de vida não deixará a rua, porque quanto mais o tempo passa, mais vínculos vão sendo criando”. O assessor especial da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Dr. Ivair Augusto Alves dos Santos, ressalta o clima de cooperação das polícias e a abertura da direção da academia. “A participação propositiva da direção da Acadepol, que não só aceitou fazer este evento, mas abriu a possibilidade de fazer o seminário em todas as regiões de São Paulo”, afirmou Ivair. Valter Machado, que está em situação de rua, participou e ficou contente com a notícia de que a população de rua vai fazer parte do currículo da formação da Polícia Civil. “É um avanço”, concluiu Machado. Já para Átila, do MNPR, o evento foi um marco e foi produtivo para todos, inclusive para os segmentos da segurança pública. O Seminário contou, ainda, com a participação da Dra. Jacinta de Fátima Senna da Silva do Ministério da Saúde, coordenadora do Comitê da Saúde da População em Situação de Rua, que apresentou o recorte da saúde como um direito, um dever do Estado e da sociedade. “Aqui foram feitas propostas que podem alterar o desenho do aparelho do Estado em relação à ação das polícias no Brasil”, avaliou Senna.   Edição N° 190 - Agosto de 2010

  • “Direitos do Morador de Rua um guia na luta pela dignidade e cidadania”

    Depois de quase dois anos de trabalho conjunto entre organizações e pessoas em situação de rua, foi lançada a cartilha de direitos humanos da população de rua, no dia 9 de agosto de 2010, em Belo Horizonte, numa ampla varanda, localizada no andar superior do prédio da Procuradoria-Geral da Justiça. Esse espaço público se transformou numa grande festa, alegre, acolhedora e musical. A apresentação do auto do “Boi Esperança” deu a dimensão da importância desse evento aberto festivamente por pessoas com trajetória de rua e por catadores de materiais recicláveis. A realidade se misturava, por assim dizer, a um sonho: a esperança de que direitos e felicidade estejam ao alcance de todos e nas palavras de Alexandre Camargo Bella, artista que se apresentou, “esperança de que todos tenham casa para morar, comida para comer, caderno para estudar e muita, muita e muita folia de boi porque o amor que se planta agora, ele vem depois”. Essa intervenção cultural foi o resultado da união de três grupos; um deles, o Karecoragem, constituído a partir de oficinas realizadas, em 2004, pela Pastoral de Rua de Belo Horizonte com catadores de materiais recicláveis da Asmare. Outro grupo, a Oficina de Cultura Popular Brasileira, ligada à Prefeitura de Belo Horizonte dirigida pela atriz e educadora social Paula Nunes. Esses dois grupos e outro denominado “Para Dançar”, dirigido por Dimir Viana, educador e diretor de teatro participaram em vários momentos do lançamento da cartilha. Segundo Dimir, educação e arte têm um poder transformador na vida das pessoas”. Para Anita Gomes dos Santos do MNPR “a cartilha é um grande marco porque através desse documento poderemos comprovar que somos cidadãos respeitáveis e com o MP abraçando essa causa, começamos a perceber que nossos direitos estão sendo reconhecidos como cidadãos brasileiros que somos”. “Esse é um momento de visibilidade porque a cartilha atinge a sociedade para que ela veja a situação de rua com outros olhos e, também, o poder público sensibilizando-o para ações apropriadas à realidade da população de rua”, disse Sérgio Carvalho Borges do Movimento Aquarela da População de Rua de Porto Alegre, que esteve presente ao evento. Segundo Samuel Rodrigues do MNPR, “essa cartilha é, pra nós da rua, uma grande vitória, uma grande conquista, uma coisa bem palpável, concreta, pela luta, pela articulação, pelas pessoas que se envolveram na construção dela, daí ela   ter esse valor todo!   Leandro Albano  Trindade é catador, artista, mobilizador social e integra o grupo Karecoragem. Edição N° 190 - Agosto de 2010

  • Articulação da Região Sul

    Nos dias 23 e 24 de julho de 2010, no Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (CEPAT) em Curitiba, foi realizado o Seminário da População em Situação de Rua – Região Sul, com cerca de 70 participantes. Estiveram presentes pessoas que estão vivendo nas ruas das cidades de Curitiba, Londrina e Paranaguá do estado do Paraná e de Porto Alegre e vários parceiros dessas localidades, comprometidos com o fortalecimento do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), Dr. Fernando Tadeu David, assessor da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais (Cimos) do Ministério Público do estado de Minas Gerais (MPMG), reafirmou os compromissos pessoais e do MP de Minas Gerais, contra a violação dos direitos humanos. “Este encontro contribui para o fortalecimento do movimento e a troca de experiências com outros grupos articula a luta por políticas públicas“. Veridiana Machado, educadora social que trabalha com a população em situação de vulnerabilidade social em Porto Alegre disse que “tratase de um momento histórico porque estamos reunidos para pensar a articulação da Região Sul com temas importantes ligados ao fortalecimento do movimento para que consiga ocupar os espaços políticos“. Dr. Alberto Velozzo Machado, promotor de Justica no Paraná, disse das responsabilidades do MP frente às violações dos direitos humanos. “Para o MP uma pessoa só já justifica a ação de defesa de seus direitos, mas espera-se que mais e mais pessoas sejam ouvidas para que este movimento ganhe legitimidade e visibilidade, dando um perfil ao movimento, como organização social“. A imprensa local esteve presente e divulgou o evento, inclusive em programa televisionado dando visibilidade ao evento e às violações dos direitos das pessoas em situação de rua. Leonildo falou que “essa ampla visibilidade dada pelos meios de comunicação aumenta a credibilidade do movimento e das pessoas em situação de rua. Além disso. A criação do fórum local teve um papel importante na articulação entre as pessoas, ampliando as parcerias“, finalizou Leonildo. Sérgo Carvalho Borges do Movimento Aquarela da População de Rua (MAPR), atuante em Porto Alegre e aliado do MNPR, trouxe uma comitiva de 40 pessoas convidadas pelo MNPR e pelo Projeto para estarem presentes ao Seminário. Sérgio disse que o seminário apontou “uma luz no túnel, que apesar de ser escuro é preciso ver ao final dele, as políticas públicas como ferramentas. As pessoas em situação de rua não têm apenas deveres, mas também direitos.   Edição N° 190 - Agosto de 2010

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