“Escrevendo juntos"
O Trecheiro celebra 35 anos com Seminário e anúncio do livro.

O jornal O Trecheiro completou 35 anos. A data foi celebrada com um seminário no dia 20 de agosto, no Auditório da Pinacoteca de São Paulo, em frente à Estação da Luz. Fundadores, jornalistas e pesquisadores contaram histórias do jornal.
O Trecheiro nasceu em 1991, na gestão da prefeita Luiza Erundina com o apoio da Editora Paulus Social. Padre Arlindo, co-fundador da Associação Rede Rua e do jornal, explicou por que ele existe: "O Trecheiro nasceu com a proposta simples e radical de que a população em situação de rua tem o que dizer e sabe dizer melhor do que ninguém sobre si mesma". O Padre participou da mesa de abertura com mediação de Joana Barros, do Centro de Memória Urbana — CMUrb, da Unifesp; e Andreza do Carmo, coordenadora geral da Rede Rua.
A assistente social, Cleisa Rosa, que foi revisora do jornal por muitos anos, disse que as universidades precisam conhecer o trabalho desenvolvido em O Trecheiro como ferramenta didática para seus alunos. "Se as faculdades de jornalismo descobrissem o material vivo que existe no Trecheiro, veriam que é um jornal único", declarou, listando tarefas para o futuro do jornal no mundo digital.
O seminário teve dois momentos de participação ativa da plateia. No primeiro, "Escrevendo Juntos", o público leu trechos da coluna Vida no Trecho e depois escreveu, ali mesmo, um pedaço da própria história e sua relação com a rua.
No segundo momento, "Vida no Trecho", o jornalista Alderon Costa entrevistou Roseli Kraemer na frente da plateia que também pôde fazer suas perguntas. Foi uma verdadeira aula ao vivo para todos que querem publicar seus trabalhos no jornal.
Na mesa de encerramento, "Jornalistas do Trecho", quem atua no jornal contou como é fazer esse trabalho. O fotógrafo Sorriso, e as colaboradoras Júlia Lima e Luciana Ribas dividiram a mesa mediada por José Vicente, outro voluntário do jornal. Luciana Ribas destacou o que ouviu de Samuel Rodrigues em uma de suas entrevistas para o aniversário do jornal: "O Trecheiro era o travesseiro dele. É o papel físico mesmo, que às vezes é tudo o que a pessoa na rua tem".
Um ponto forte de O Trecheiro é que ele é feito por quem vive ou já viveu na rua. Luciney Martins, o Sorriso, que se apaixonou pela arte de fotografar a partir da sua experiência no jornal contou como se tornou fotógrafo profissional e saiu da rua. "Enquanto puder colaborar com O Trecheiro e a Rede Rua, sempre vou estar presente. É uma forma de devolver o que a Rede Rua me deu", explicou.
Para fechar o seminário com alegria, foi anunciado o pré-lançamento do livro Vida no Trecho, com os textos publicados ao longo dos 35 anos na coluna que tem esse nome e existe desde o lançamento do jornal. O livro deve ficar à disposição a partir de novembro.
ASSISTA AO SEMINÁRIO DOS 35 ANOS:







Comentários