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Portas fechadas, direitos trancados

há 3 horas
2 min de leitura

Alderon Costa
Alderon Costa

Dezenove de agosto de 2026, por volta de 500 pessoas participaram do ato do Dia de Luta da População em Situação de Rua. Ato pensado e executado em conjunto com muitas pessoas com trajetória de rua e muitos ainda em situação de calçada. Nunca se viu uma situação tão caótica na política pública para as pessoas em situação de rua. A violência das forças de segurança que além das tradicionais violações, como as abordagens preconceituosas, agora são responsáveis por expulsar as pessoas das praças e outros espaços do centro. A atual gestão vem fechando espaços e dificultando a vida de quem precisa de um lugar para ser acolhido com dignidade. A falta de vagas, a piora nos equipamentos de acolhimento, a falta de investimento em serviços de moradia autônoma e de longo prazo e o aumento da violência são as marcas do atual prefeito, Ricardo Nunes. A população em situação de rua vem aumentando a cada dia e com os fechamentos o aumento das pessoas na frente de residências, praças e, principalmente, nas proximidades dos poucos serviços que vêm atendendo essa população conta com o ódio da população vizinha. Uma verdadeira guerra contra as pessoas que já estão em extrema vulnerabilidade social.

E o que vemos é totalmente ao contrário do que deveria existie. Portas são fechadas com guardas na frente para que não haja a mínima possibilidade de entrada. No ato do dia 19 de agosto, a manifestação parou em frente à secretaria de direitos humanos e cidadania para cobrar a recolocação do marco do “massacre da Sé”. Ao chegar, a manifestação foi surpreendida com as portas fechadas e com guardas na frente. A Secretaria foi sempre um referencial de respeito e acolhida às pessoas em situação de rua.

Para quem vive em situação de rua, portas fechadas não são novidade. Mas a Secretaria de Direitos Humanos não pode se dar ao luxo de fechar suas portas. Direitos humanos não se defendem atrás de portas fechadas. Defendem-se nas ruas, nos territórios, nos serviços públicos, nas reuniões, nas escutas e, sobretudo, na disposição de reconhecer o outro como sujeito de direitos. Afinal, como proteger Direitos trancando quem precisa de proteção para fora, sem ouvi-los?

A população em situação de rua não precisa de portas fechadas. Precisa de moradia, trabalho, saúde, alimentação, documentação, cultura, educação e segurança. Precisa de políticas públicas articuladas e permanentes.




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