Portas fechadas, direitos trancados

Dezenove de agosto de 2026, por volta de 500 pessoas participaram do ato do Dia de Luta da População em Situação de Rua. Ato pensado e executado em conjunto com muitas pessoas com trajetória de rua e muitos ainda em situação de calçada. Nunca se viu uma situação tão caótica na política pública para as pessoas em situação de rua. A violência das forças de segurança que além das tradicionais violações, como as abordagens preconceituosas, agora são responsáveis por expulsar as pessoas das praças e outros espaços do centro. A atual gestão vem fechando espaços e dificultando a vida de quem precisa de um lugar para ser acolhido com dignidade. A falta de vagas, a piora nos equipamentos de acolhimento, a falta de investimento em serviços de moradia autônoma e de longo prazo e o aumento da violência são as marcas do atual prefeito, Ricardo Nunes. A população em situação de rua vem aumentando a cada dia e com os fechamentos o aumento das pessoas na frente de residências, praças e, principalmente, nas proximidades dos poucos serviços que vêm atendendo essa população conta com o ódio da população vizinha. Uma verdadeira guerra contra as pessoas que já estão em extrema vulnerabilidade social.
E o que vemos é totalmente ao contrário do que deveria existie. Portas são fechadas com guardas na frente para que não haja a mínima possibilidade de entrada. No ato do dia 19 de agosto, a manifestação parou em frente à secretaria de direitos humanos e cidadania para cobrar a recolocação do marco do “massacre da Sé”. Ao chegar, a manifestação foi surpreendida com as portas fechadas e com guardas na frente. A Secretaria foi sempre um referencial de respeito e acolhida às pessoas em situação de rua.
Para quem vive em situação de rua, portas fechadas não são novidade. Mas a Secretaria de Direitos Humanos não pode se dar ao luxo de fechar suas portas. Direitos humanos não se defendem atrás de portas fechadas. Defendem-se nas ruas, nos territórios, nos serviços públicos, nas reuniões, nas escutas e, sobretudo, na disposição de reconhecer o outro como sujeito de direitos. Afinal, como proteger Direitos trancando quem precisa de proteção para fora, sem ouvi-los?
A população em situação de rua não precisa de portas fechadas. Precisa de moradia, trabalho, saúde, alimentação, documentação, cultura, educação e segurança. Precisa de políticas públicas articuladas e permanentes.





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