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O cuidado exige criatividade.

há 4 horas
3 min de leitura

A equipe foi desafiada a encontrar outra abordagem, o que originou a ideia da cartilha ilustrada com animações


Equipe comemora a indicação da cidadedo Rio de Janeiro para sediar  o 10º Congresso do Consultório da Rua - Fotos: Alderon Costa
Equipe comemora a indicação da cidadedo Rio de Janeiro para sediar o 10º Congresso do Consultório da Rua - Fotos: Alderon Costa

No 9º Congresso do Consultório na Rua, realizado em Foz do Iguaçu entre os dias 10 e 12 de agosto, foram apresentados vários trabalhos dos Consultórios na Rua das regiões presentes no Congresso. De São Paulo, a organização Bom Par levou o trabalho relacionado ao cuidado com a sífilis. Nielson de Quadros Paulino foi um dos responsáveis pelo projeto.

Com longa convivência com a realidade da rua desde os tempos de formação em Manaus, Nielson conta: “Minha trajetória com as pessoas em situação de rua começou há 17 anos, ainda em Manaus, no Amazonas, onde fui impactado por uma realidade que só via na televisão.” Na UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Nielson já realizava um trabalho junto às pessoas que faziam uso de substâncias. Depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde atuou em um projeto voltado para crianças e adolescentes. Após dois anos, mudou-se para São Paulo, onde começou a estudar enfermagem, formando-se posteriormente como técnico de enfermagem. Nesse período, conheceu o Consultório na Rua, onde passou a trabalhar com pessoas em situação de rua no cuidado à saúde.

“Terminei o curso técnico de enfermagem. Atuo como auxiliar na área. Estou no quarto semestre da Faculdade de Enfermagem,” conta Quadros.

Os desafios no trabalho do Consultório na Rua exigem que os profissionais se esforcem, usem a criatividade e tenham muita paciência no cuidado com as pessoas. “Precisamos dar conta de um serviço que muitas vezes requer um computador disponível, uma impressora,

coisas do dia a dia do trabalho. E não temos esses recursos no local onde atuamos, na calçada. Assim, vamos nos adaptando.” Foi a partir dessa necessidade que surgiu a ideia de criar uma cartilha de orientação e incentivo à prevenção e tratamento da sífilis.

“Todos os meses realizamos ações de testagem rápida para identificar algumas infecções, entre elas a sífilis. E a sífilis é uma infecção comum no público que atendemos,” explica ele.

Segundo Nielson, a sífilis é um desafio para todos os serviços de saúde, pois os pacientes geralmente se submetem a um tratamento dolorido, com penicilina, durante um período de três semanas. Em um caso acompanhado, a testagem rápida feita durante o pré-natal diagnosticou sífilis no casal. “A mãe iniciou o tratamento no mesmo dia, mas o pai apresentou uma fobia severa à medicação e não conseguia nem ver a agulha.”

Nesse caso, a equipe foi desafiada a encontrar outra abordagem, o que originou a ideia da cartilha ilustrada com animações, explicando o que é a sífilis e seu tratamento. O material foi lido para a família da mesma forma que se lê histórias para crianças, sensibilizando o pai. “No final da leitura, ele se comprometeu a começar o tratamento naquele mesmo dia, porque entendeu a necessidade e os riscos que estavam correndo.”

Ele iniciou e concluiu o tratamento. Uma semana antes do Congresso, chegou a boa notícia: a criança nasceu saudável e sem contaminação, e a equipe comemorou o sucesso da nova abordagem.

Por fim, um lembrete: essa cartilha é destinada para que os profissionais leiam para os pacientes, não sendo distribuída como material impresso.

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