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- Amigo do povo da rua
Thomas Kemper é o novo secretário geral da Agência de Missão da Igreja Metodista O ex-missionário no Brasil Thomas Kemper, amigo do povo da rua de São Paulo foi eleito, no dia 13 de janeiro o secretário geral da Junta Geral dos Ministérios Globais da Igreja Metodista Unida. A organização, com sede em Nova York, tem 190 anos de existência e conta com pessoal, projetos e parceiros de missão em 136 países. Enquanto a comissão se reunia, a Igreja Metodista Unida organizava uma Comissão de Socorro (UMCOR) às vítimas do terremoto no Haiti. Thomas, de 53 anos, que assumirá o cargo em 15 de março, é o primeiro secretário-geral de uma agência Metodista fora dos Estados Unidos. Desde 1998, ele coordenava a Junta de Missões (Cooperação Internacional da Igreja) na Alemanha. Em entrevista a Elliott Wright, consultor da Junta de Ministérios Globais, no site da Igreja, Thomas afirmou “ser imperativo para a agência unir misericórdia e piedade, ajudando as igrejas locais de todo o mundo a se sentirem parte de uma família no mundo inteiro, superando os limites da cultura, raça e denominação em nome de Jesus Cristo”. Dos anos 1986 a 1994, Thomas e sua esposa Barbara Hüfner-Kemper decidiram viver uma experiência missionária no Brasil. Ele ensinava no Seminário Teológico do Brasil em São Bernardo do Campo e se dedicava ao ministério com a população de rua. Todas as quartas-feiras, após as aulas no Instituto Metodista ele se dirigia à baixada do Glicério, bairro central da cidade de São Paulo para participar da Sopa do Glicério, organizada pela Comunidade dos Sofredores da Rua, uma organização católica, com inspiração ecumênica. Antes de deixar o Brasil, Thomas viu realizado um de seus grandes sonhos, a Comunidade Metodista do Povo da Rua; projeto levado a cabo no Viaduto Pedroso, no bairro Paraíso, em São Paulo. Edição Nº 185 - Janeiro de 2010
- Rio de Janeiro - Fichados e de volta às ruas
Pessoas em situação de rua denunciam o tratamento que recebem da Polícia e da Prefeitura do Rio de Janeiro O jornal O Trecheiro conheceu um grupo de moradores de rua do Rio de Janeiro em junho passado, que denunciaram a violência que sofrem nas ruas da cidade. A discriminação e o desrespeito começam pelas abordagens realizadas por agentes públicos. Estes adotam como primeira providência, o encaminhamento de todas as pessoas que se encontram nas ruas para as delegacias de polícia, antes mesmo de irem para um CRAS - Centro de Referência de Assistência Social ou um possível abrigo. Segundo Luciano Rocco, presidente da Organização Civil de Ação Social (OCAS), a Constituição de 1988 estabelece que ninguém poderá ser preso a não ser em duas únicas hipóteses: flagrante delito ou determinação judicial. Portanto, não é mais possível a chamada prisão para averiguações. Marcelo Silva, articulador do MNPR/RJ, confirma essas denúncias contra a população de rua. “Aqui no Rio, o Choque de Ordem leva primeiro para a delegacia, depois para um abrigo. Além disso, a população de rua é considerada bandida traficante, marginal”, desabafa Marcelo. Leandro Meneciano, de Juiz de Fora, veio para o Rio há quatro anos para trabalhar, não conseguiu colocação, está em situação de rua e não consegue sair. “A polícia pega a gente, leva para a delegacia, faz o boletim de ocorrência, encaminham para um abrigo e lá eles chamam a gente de porco, escracham a gente e depois soltam de novo”, afirma Leandro. Essa situação aconteceu, também, com João Batista N. da F., 60 anos, nascido em Joinville, Santa Catarina, pintor naval, trabalhou dez anos em plataformas da Petrobrás foi demitido e foi parar na rua. “Já me levaram para a 9ª Delegacia de Polícia - DP e me deixaram de castigo o dia todo”, afirma Batista. Alexandre M., acolhido na Casa Betânia falou ao jornal que ele não sabe ao certo se é Choque de Ordem ou Ordem de Choque. “O que vemos no Rio é mais uma Ordem de Choque pelas atitudes truculentas e fora da lei destes que chegam dando choque em cidadãos que não têm nem mesmo o direito de se identificarem, reagirem e que, na maior parte das vezes, além de agredidos são roubados e humilhados”. João Batista N. F., denúncia a nova estratégia da polícia. “Da última vez que levou a gente foi num micro-ônibus da polícia. Chegamos na favela do Antares às quatro horas da manhã e os traficantes estavam esperando para matar todo mundo. A sorte é que o ônibus não entrou, mas fizeram a gente andar em fila para dentro da favela. Quando o chefão da favela viu a gente falou que a gente era louco porque se o ônibus entrasse na favela àquela hora iria morrer um por um”, lembra João Batista. Conforme Luciano Rocco está em curso, no Rio de Já neiro, um aprofundamento da política de segregação e violência contra a população em situação de rua. “Quem resiste a entrar nas vans das operações do Choque de Ordem é agredido. Nos abrigos, as pessoas recolhidas encontram superlotação, equipes técnicas reduzidas e, também, violência física e assédio moral”, declara Luciano. Jorge Muñoz, pesquisador sobre a população de rua disse que “para quem estuda a história da relação entre governos e população de rua vai perceber que a violência vai e volta, reaparece com os mais diferentes nomes e agora está reaparecendo enquanto Choque de Ordem”. O vereador Reimont, presidente da Comissão de Acompanhamento das Políticas Públicas para População em Situação de Rua, considera caótica a situação do Rio de Janeiro e os poderes públicos não estão dando conta dos atendimentos e do respeito aos cidadãos que estão nas ruas. “Nós cobraremos, como base aliada do Prefeito Eduardo Paz que o acolhimento seja repleto de verdadeira assistência e que todo homem tenha seus direitos respeitados e sua dignidade restabelecidas”, declarou Reimont. Os megaeventos e a rua Outra inquietação já presente entre os moradores de rua do Rio de Janeiro é o início das atividades de preparação para a Copa de 2014. “O meu medo da Copa é que eles vão rebocar todo mundo da rua e colocar num buraco escondido. Quando o Papa passou por aqui, tiraram todos os malucos de rua e jogaram lá para os lados do Campo Grande, lá no Brizolão. O Papa rodou o Rio e não viu um pobre de rua”, conclui João Batista. Josemar dos Santos compara a Eco 92 com o Choque de Ordem. “Estamos achando que é por causa da Copa. É a mesma coisa que na época da Eco em 1992. Na Lapa, pegaram um rapaz socaram, bateram. Comigo eles chegaram aqui espancando, batendo, recolheram os documentos e jogaram dentro das caçambas, com roupas e a comida”, denuncia Josemar. “O que vemos no Rio é mais uma Ordem de Choque pelas atitudes truculentas e fora da lei destes que chegam dando choque em cidadãos que não têm nem mesmo o direito de se identificarem, reagirem e que, na maior parte das vezes, além de agredidos são roubados e humilhados”. --------------------------------------------------------- Fichados e de volta às ruas O que é a Operação Choque de Ordem? É uma política de governo adotada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no início de seu mandato, em 2009. Tratase de medida de repressão aos ambulantes e outras formas de comércio não regularizado, e ocupações urbanas, em diversos pontos da Zona Sul, Zona Oeste, Centro e Grande Tijuca. Edição N° 189 - Julho de 2010
- Debate sobre trabalho e geração de renda
O Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) realizou uma série de debates sobre trabalho e geração de renda na cidade de São Paulo. Além do MNPR, participam desses encontros, aproximadamente, quinze organizações públicas e privadas, que possuem iniciativas de geração de trabalho e renda para a população de rua e a própria população que frequenta essas iniciativas. No dia 27 de maio, aconteceu o fechamento de um ciclo de dez debates. Os objetivos desses encontros foram: realizar, no âmbito da cidade de São Paulo, um levantamento de grupos produtivos que envolvam pessoas em situação de rua ou com trajetória de rua; propiciar o intercâmbio entre as experiências; levantar as principais potencialidades, assim como os limites e dificuldades dessas experiências; realizar o aprofundamento de temas referentes ao trabalho e geração de renda como: economia solidária, cooperativismo, empreendedorismo, mercado formal, trabalho autônomo, programas públicos e o papel do Estado; estimar a quantidade de pessoas que participam desses projetos e quantas conseguem, a partir dessa participação, emprego ou oportunidade de gerar renda própria. Ao final, decidiu-se entre os presentes construir, conjuntamente, entre MNPR, organizações sociais e pessoas em situação de rua um documento com o diagnóstico da situação e com propostas de políticas públicas de trabalho e geração de renda para a população de rua na cidade de São Paulo. Este texto está em construção. Além disso, o grupo decidiu dar continuidade ao debate a partir de encontros mensais. A proposta é formar uma rede que participe e aprofunde a discussão sobre trabalho e geração de renda para a população em situação de rua. Uma próxima meta será a realização de um seminário sobre o tema, onde especialistas possam trazer mais informação para que a rede aprofunde a discussão. Essas atividades foram iniciadas a partir do Projeto de Capacitação e Fortalecimento Institucional da População em Situação de Rua, parceria entre MNPR, UNESCO, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Instituto Pólis, O próximo encontro será realizado dia 17 de junho às 14h30 na sede da OAF-Pinheiros – Rua Galeno de Almeida, 639 – embaixo do Viaduto Paulo VI – Metrô Sumaré. Edição N° 188 - Junho de 2010
- Buenos Aires: Luta pela votação do projeto de lei
No mês de dezembro de 2009, na cidade de Buenos Aires, a ONG “Proyecto 7”, integrada por pessoas com trajetória de rua, apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal voltado para a proteção dos direitos das pessoas em situação de rua, assim como de pessoas em risco de entrar em situação de rua como, por exemplo, aqueles em risco de despejo. Este projeto foi desenhado de forma participativa, contando com o auxílio técnico de membros da comissão especial de Políticas Públicas para a Cidadania Plena e a participação de organizações da sociedade civil, pessoas em situação de rua e acadêmicos que investigam o tema. Desde então, formou-se uma rede de organizações e pessoas em situação de rua, chamada “Na Rua”. Esta rede tem promovido manifestações, encontros para debater o projeto de lei, distribuição de panfletos e stickers nas ruas da cidade e, também, está atuando junto aos vereadores e seus assessores. Além disso, o projeto está sendo difundido por diversos meios de comunicação (televisão, jornais, revistas, rádios, etc.). A Rede está usando ferramentas online como blog e facebook (com mais de 5.000 seguidores) para conseguir apoiadores e atrair mais organizações para a militância do projeto de lei. Internacionalmente, o projeto de lei já conta com o apoio de organizações do Brasil, Uruguai, Chile e Espanha. Formalmente, o projeto de lei já entrou na pauta de discussão da Câmara de Vereadores de Buenos Aires. Para conseguir que ele entre realmente em discussão e seja votado, a Rede vem se reunindo com os vereadores da Comissão de Promoção Social, responsável por esse projeto, para explicar alguns pontos do texto e conseguir o apoio. Ainda não se tem previsão para que essa votação aconteça. Paralelamente a essas ações, a sociedade civil começou a trabalhar a confecção de um projeto de lei para pessoas em situação de rua a nível nacional. Para mais informações, é possível acessar o blog da Rede “Na Rua”: www.porquenlacalle.blogspot.com/ *Tradução: Maria Carolina Ferro Edição N° 188 - Junho de 2010
- Fortaleza organiza Movimento da População de Rua
O MNPR/Fortaleza está cada vez mais perto de alcançar seus objetivos não pessoais, mas coletivos! Desde sua formação, em abril de 2010, já começamos com o pé direito. Cansado de sempre ouvir a mesma história, o MNPR/ Fortaleza, juntamente, com a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de Fortaleza e outras organizações sociais estão em processo de organização das pessoas em situação de rua tão sofridas do Ceará. O resultado disso foi a elaboração de uma carta documento no Seminário Estadual de Fortaleza, realizado nos dias 14, 15 e 16 de abril na cidade de Itaitinga, para o fortalecimento do movimento. A íntegra dessa carta está no www.falarua.org A elaboração desse documento, não foi uma conquista apenas do movimento, mas sim uma conquista da coletividade e que é um retrato da realidade que as autoridades “teimam” em não ver e em dizer que não é problema delas. No dia 21 de junho, o movimento esteve em reunião na Câmara Municipal de Fortaleza com várias organizações da sociedade civil e públicas para a entrega da Carta de Fortaleza. Nessa oportunidade, os vereadores informaram a aprovação de um milhão de reais para a construção do Hotel Popular sob a responsabilidade total de execução da Prefeitura de Fortaleza e, também, a aprovação da locação social para pessoas em situação de vulnerabilidade. Cabe agora ao movimento, fiscalizar para que esse recurso seja realmente empregado na implantação desse equipamento tão sonhado e desejado e que esses projetos se concluam o mais breve possível, pois a população já não aguenta mais tanto sofrimento, violência, descaso e abandono do poder publico. *Pedro Paulo é do MNPR/ Fortaleza e um dos administradores do portal do MNPR (barbosadesousa-2007@hotmail. com) Edição N° 189 - Julho de 2010
- Vozes de esperança que clamam por justiça
Medo de sair às ruas para resolver problemas ou para atividades de lazer, medo de pegar transporte coletivo ou de prestar informações a um desconhecido, esta é a realidade do cotidiano de Salvador. A sociedade baiana está cada vez mais traumatizada. Nos jornais vemos frequentes reportagens sobre tráfico de drogas, diversas formas de homicídios, ataques aos módulos da Polícia Militar, incêndios de ônibus e violência de toda ordem. Durante cinco anos, acompanhei famílias em Salvador (BA), em particular, mães cujos filhos foram assassinados. Costumo chamá-las de mãesórfãs, o inverso da criança-órfã que perde a mãe ou o pai, aqui são mães que perdem seus filhos. Como trabalhei praticamente só com famílias onde o pai estava ausente, cheguei a ouvir muitas mães que relatavam fatos cruéis vividos por elas. A cada ano vemos crescer o número de homicídios e é assustador ver o sofrimento destas mães-órfãs. Desde 2000, em Salvador, foram assassinados 10.491 pessoas, sendo a maioria de homens, jovens, negros e pobres, segundo dados do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep)/Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Diversos grupos de extermínio como também a polícia e criminosos individuais são responsáveis por estas mortes. No Brasil inteiro, a média anual de homicídios girou em torno de 47 mil. Nos anos 80, os acidentes de trânsito eram a principal causa de mortes masculinas, a partir da década de 90, os homicídios lideram como causa principal. O círculo vicioso do narcotráfico, da violência em todas as suas formas e da morte violenta é conhecido de todos nós. Acompanhei muitas mães que perderam seus filhos com mortes cujos caixões eram colocados nos extremos dos cemitérios e muitas vezes obrigadas a saírem de suas casas por medo de ameaças recebidas. Mulheres, mães e esposas que foram maltratadas e abusadas durante anos e que ainda sofriam violência. Em outros países, encontramos mães corajosas que recusam a deixar seus filhos esquecidos. Em Buenos Aires, semanalmente, observamos as mães da Praza de Mayo rodeando com determinação esta praça, fotos nas mãos e lenços brancos nas cabeças. A memória dos filhos perdidos e injustiçados vive como símbolo de esperança no horizonte da sociedade da Argentina. No continente asiático, escutamos o mesmo grito: lembremonos solenemente do massacre no Tienanmen Square, China (Pequim), mais de 20 anos atrás. A partir do choro doloroso de uma mãe das vítimas, Ding Zilin as Tienanmen Mothers começaram uma longa trajetória de luta pela justiça, pela qual a pioneira recebeu o Prêmio Nobel da Paz no ano 2003. As vozes dessas mulheres, mães, avós, tias, irmãs, esposas e companheiras são vozes de esperança, que clamam por justiça. Edição Nº 185 - Janeiro de 2010
- MNPR é o único movimento a participar do Conselho Nacional de Assistência Social
A população em situação de rua garantiu representatividade no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), órgão deliberativo da Assistência Social, ligado ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, nas eleições realizadas no final de maio. Um dos coordenadores do Movimento Nacional da População de Rua, Samuel Rodrigues, foi eleito para a nova composição do Conselho. Ele é o único representante de movimento popular que deve fazer parte da gestão 2010-2012. De acordo com Rodrigues foi um momento disputado. “Mas prevaleceu a força da articulação do movimento junto a outros usuários da Assistência”. A participação do MNPR no CNAS começou, em 2008, quando Rodrigues participou do Conselho como membro suplente. O movimento efetivou sua participação pelo fato de a Resolução 24 de 2006 ter desburocratizado e assim facilitado a participação de movimentos nas eleições. “Antes os movimentos sociais tinham dificuldades de se inscrever. A resolução foi uma importante conquista popular”. Uma das principais lutas encampadas pelo movimento e travadas no Conselho foi pela tipificação dos serviços socioassistenciais. Tipificação dos serviços, explica Rodrigues, é o resultado de estudos e debates que uniformiza os serviços em todo o país. “Um exemplo são os albergues. Todos deverão ter capacidade máxima para 50 pessoas. O que não acontece hoje, pois cada cidade faz a seu modo. E é assim com os demais serviços também”, explica. A tipificação foi consolidada pela resolução 109 do CNAS. Outro momento importante do Conselho, segundo Rodrigues, foi a realização da VII Conferência Nacional de Assistência Social, que aconteceu entre 30 de novembro e 3 de dezembro de 2009. “Nunca tivemos antes tanta participação dos usuários do serviço de todo o país em uma conferência da Assistência”, avalia. Para os próximos dois anos a principal bandeira de luta do movimento continuará sendo a consolidação das políticas públicas para a população em situação de rua de todo o país. “Agiremos também no sentindo de conscientizar os movimentos sociais sobre a importância do conselho e da participação neste espaço”. Composição O Conselho, que substituiu o antigo CNSS (Conselho Nacional de Serviço Social), é paritário, com 18 membros da sociedade civil e do governo. São nove representantes da sociedade civil, sendo três representantes de entidades de Assistência Social, três representantes dos usuários e organizações de usuários da Assistência Social, e três representantes dos trabalhadores da Assistência. Dos nove representantes governamentais, sete são de órgãos do governo federal, além de um representante dos Estados e outro dos municípios. Objetivos Entre os objetivos do Conselho, como consta em seu regimento interno, estão a aprovação dos programas de Assistência Social em âmbito nacional, além de aprovar critérios de transferência de recursos aos Estados e municípios e avaliar a gestão dos recursos, seus ganhos sociais e o desempenho dos programas e projetos aprovados. O regimento interno na íntegra encontra-se no www.falarua.org . Edição N° 189 - Julho de 2010
- Bahia inaugura sede do Movimento Nacional
Desde 26 de junho deste ano, a população em situação de rua de Salvador conta com um local para se reunir e se fortalecer. A Ladeira de São Francisco, sem número, no centro de Salvador, passou a ser a sede do Movimento da População de Rua. A inauguração aconteceu com ato e celebração de uma missa. A partir de março, quando foi realizado o primeiro fórum da população de rua na Bahia, o movimento vinha alternando, com ajuda de entidades parceiras, o local de encontro para as reuniões. Segundo a coordenadora do movimento no Estado, Maria Lúcia Santos Pereira, a conquista do local representa um passo fundamental tendo em vista a independência do movimento. “Será um ponto de referência para a população em situação de rua e um espaço de conscientização política”, afirma. Confira mais detalhadamente como o movimento na Bahia pretende se organizar. A entrevista é com Maria Lúcia Santos Pereira, coordenadora do movimento no Estado: Como foi a conquista da sede? O movimento se reunia com a ajuda de parceiros de forma itinerante. Como nos reunimos de quinze em quinze dias, começamos a perceber que as pessoas ficavam um pouco perdidas, pelo fato de as reuniões serem cada dia em um local. Isso fazia baixar a frequência das pessoas nos encontros. Elas mesmas começaram a cobrar que fossem realizados em apenas um local. Após uma reunião com a coordenação local do movimento, que se reúne, semanalmente, avaliamos que para não ter desmotivação precisávamos agir rápido. Ao mesmo tempo, percebíamos que o Movimento estava dependendo muito dos parceiros e isso não era bom para o nosso crescimento. Então tivemos uma conversa com a Comunidade Franciscana, que tinha um espaço sem uso e desejava ter ali algo diferente voltado para a população em situação de rua. Então unimos o útil ao agradável. Qual o significado de ter uma sede? Ter a sede para nós é muito importante, pois seremos independentes. Pagaremos uma pequena contribuição para ocupar o espaço. Isso nos trará responsabilidade. Será, também, um ponto de referência para a população em situação de rua de Salvador e um espaço de conscientização política. Já estamos montando uma biblioteca e receberemos denúncias para dar os devidos encaminhamentos. Além disso, teremos encontros de capacitação tanto para a coordenação quanto para a base. Como será a organização? Vamos ocupar o espaço com o máximo de atividades que pudermos. Estamos nos organizando para que a sede fique aberta de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Para isso montamos um esquema de revezamento entre a gente. Teremos um Conselho Consultivo, com a participação de três entidades parceiras, para nos ajudar a refletir sobre os rumos da organização e das políticas públicas na Bahia. Estamos tentando encaminhar, também, alguns projetos para a manutenção da sede e procuramos parceiros para que nos ajudem na capacitação e formação política. Edição N° 189 - Julho de 2010
- Situação de rua é uma violação aos Direitos Humanos
No dia 17 e 18 de dezembro de 2009, representantes da Relatoria Nacional pelo Direito da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais, dr. Orlando Junior e o assessor, dr. Cristiano Muller, visitaram a cidade de São Paulo, realizaram encontros e uma audiência pública. Na noite do dia 17, dr. Orlando Junior, relator da ONU, encontrou com representantes da população de rua que os levaram a alguns pontos onde as pessoas dormem. Passaram pelo largo São Francisco, rua Boa Vista e Praça da Sé. No trajeto encontraram mais de 200 pessoas dormindo nas marquises, praças e no coreto da BMF. Segundo Anderson Lopes Miranda, do MNPR, essa visita foi importante para dizer como está o espaço da cidade. “A hora que eles s e n t a r e m com o poder público vão saber dizer como está a situação dessa população”. Para Benedito Barbosa, do Movimento de Moradia, a visita serviu para fortalecer mais a articulação e para reforçar as denúncias das violações dos direitos. Estes fatos ocorrem tanto na periferia, como no centro, num processo pesado de higienização, fortalecimento por parte do poder público da especulação imobiliária com um processo de expulsão de comunidades, favelas e centro da cidade. Ao final, Dr. Orlando Junior declarou ter se surpreendido com essa da realidade: “O que me impressionou, além da extensão da problemática de pessoas morando nas ruas, foi ouvir sobre a política que está sendo implantada em São Paulo. Foi importante ver de fato que é uma violação do direito é essa minha conclusão sem sombra de dúvidas”, declarou o relator. Edição Nº 185 - Janeiro de 2010
- “Saúde, trabalho e habitação”
Nos dias 29 e 30 de março, aconteceu o II Seminário de População em Situação de Rua sobre “Saúde, trabalho e habitação” no Centro Arquidiocesano de Pastoral em Salvador. Participaram deste evento, representantes dos governos das três esferas, de organizações parceiras e do MNPR. De início, foi apresentado o Caderno de Orientações para a Implantação e Funcionamento dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social para a População em Situação de Rua (Creas Pop Rua) que ainda receberá contribuições. Para Adauto Leite de Oliveira, membro do Fórum Permanente da Bahia, o mérito desse trabalho está no fato de ter sido realizado com a população de rua. Também foram apresentados os resultados da Pesquisa realizada em Salvador em 2010 pela Universidade Federal da Bahia e pelo Movimento da População em Situação de Rua de Salvador. Para a profª. Renata Meira Veras, coordenadora da pesquisa chamou a atenção os problemas familiares como causa de estarem nas ruas, falaram do desemprego, dos problemas de saúde e da questão da falta de documentos pessoais para conseguir emprego. “A partir desses resultados vamos elaborar um plano de atuação com a população de rua”, concluiu Renata. Na discussão sobre trabalho, Anderson Lopes, da coordenação no MNPR, foi categórico em dizer que o trabalho traz dignidade para as pessoas em situação de rua. Damião Ferrari do MNPR/CE, destacou o problema da escolha do tipo de cursos de capacitação e as condições das pessoas que vão fazer esta capacitação. “Não perguntam qual é a nossa necessidade, pois não temos condições de morar, de transporte e de comer”, lembra Damião. Na habitação, foram levantados vários programas, mas ainda precisa ser construído um programa de moradia que inclua a população em situação de rua. Segundo Marli Carrara, da União Por Moradia Popular da Bahia, não existe casa a custo zero. A população de rua tem que se inserir na luta por moradia. “Vem para luta de cabeça erguida e nunca diga eu, mas aprendam a dizer o nosso movimento quer isto”, declarou Marli. Iveline Hardnan, diretoria de programas e projetos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia, defendeu a criação pelo governo de um parque imobiliário próprio para o uso da locação social e defendeu a visibilidade dessa população. Thomas Melo, representante do MNPR/PR apresentou a experiência de Curitiba. Segundo ele, na cidade existe a possibilidade da população de rua conseguir entrar no programa de moradia. Na mesa da saúde, a questão é gravíssima. Segundo Henrique Peregrino, da Comunidade da Trindade, a pessoa de rua é barrada já na entrada do posto de saúde pelos vigilantes. “Tem também o problema da documentação, pois sem documentos não se pode tratar”, relata Henrique. O problema da alta hospitalar foi unânime que não existe uma retaguarda para o paciente continuar seu tratamento. Para a representante do Ministério da Saúde, dra. Jacinta de Fátima Senna da Silva, a saúde é um direito, mas só acontece mediante políticas públicas intersetoriais e articuladas. A avaliação do seminário, segundo Maria Lúcia Santos, do MNPR local é que todos ficaram atentos, perceberam que várias vozes se uniram, mas, principalmente, porque provocou inquietação. “Foi interessante ver que o governo não imaginava que estávamos tão articulados e isto gerou essa inquietação e acho que agora é que o trabalho vai ser realizado, porque agora eles sabem que a população de rua tem voz”, finalizou Lúcia. (A pesquisa da UFBA sobre a população de rua de Salvador pode ser acessada no site www.rederua.org.br ) Edição N° 196 - Abril de 2011
- Só se deixar passar batom!
Uma história de superação do crack na reconquista de si e de suas perdas. “Eu vim aqui em São Paulo para conhecer a Cracolândia. Trabalhava. Sou operadora de empilhadeira. Tive um problema com minha mãe e não consegui viver com ela. Lá em Rio Claro, já tinha começado a usar crack. Vi pela televisão e fiquei curiosa de conhecer os ‘psico e os ‘nóias´. Eles com aquelas cobertas vagando pelas ruas me deu muita curiosidade. Conheci a Cracolândia, mas acabei conhecendo, também, o Centro de Acolhida Santa Cecília”. Assim começou a conversa com Patrícia Muniz da Silva de 39 anos, natural de Rio Claro (SP) e que esteve em situação de rua por quatro meses e agora, com o trabalho do Centro de Acolhida está num processo de saída da rua e reestruturação de sua vida. “Já tem um mês que não estou usando droga. Mas, estou tendo um acompanhamento e não estou na rua. Moro num apartamento com um companheiro, estou fazendo entrevistas de emprego, pois quero trabalhar e estudar”, declarou Patrícia. As causas de ela ter chegado aonde chegou podem ser várias, mas a que mais a incomoda está relacionada a conflitos familiares, em particular, com sua mãe. Ela fala de seus três filhos com muito carinho, mas o pequeno de quatro anos ela o quer de volta. “Eu quero de volta o que é meu”! Patrícia se sentiu acolhida no Centro e se lembra das conversas com os funcionários. “As meninas ajudam a gente. Elas não ajudam só a ter um espaço para você passar o dia para não ficar na chuva ou no frio. Se você precisa de um abraço, um conselho, elas dão. Meio que viram a família da gente. Quando precisa, também, elas deixam a gente de castigo. Não deixa tomar banho, entrar no espaço, tem umas normas aqui também”, lembrou Patrícia. Quando perguntada o que a ajudou a sair dessa situação, a resposta vem fácil. “Para falar a verdade mesmo, foi a acolhida das meninas (funcionárias) aqui do Centro. Se você conversa com a família, eles não entendem isto. Aqui as pessoas estão preparadas para receber esses `loucos´, esses usuários de drogas, os ‘psico´, os ‘nóias´, os ‘radiados´ e os bêbados”. Insisti na pergunta e veio outra resposta para completar a primeira. “Quer saber de uma coisa, eu voltei a me amar. Eu preciso perdoar as pessoas e eu também”, concluiu Patrícia. Ao solicitar para tirar uma foto, ela reagiu: “Só se você deixar passar batom primeiro. Mulher é assim!”. Edição N° 196 - Abril de 2011
- Consultórios de Rua e Redução de Danos
Estar na rua, conviver, conversar, fazer um curativo, propor encaminhamentos pontuais, e ter escuta atenta são alguns dos objetivos do Consultório de Rua. Uma equipe profissional multidisciplinar formada por médicos, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, educadores sociais, além de veículos, preservativos, cartilhas instruções e material para curativos, medicamentos de uso mais frequente em tais situações. O Consultório de Rua é uma parceria do município de Guarulhos (SP) com o Ministério da Saúde. Ao aproximar-se, a equipe se esforça para criar um clima amigável. Alguns sentam no chão, improvisam banquinho, propõem atividades lúdicas e iniciam o trabalho individual ou em grupos. Para Orlando Mesquita da Silva, morador de “calçada”, “o pessoal do consultório é legal tem uma atenção e quer ajudá-los”. Segundo Cléia Martins Januário, coordenadora do Consultório de Rua, o principal objetivo é trabalhar com a redução de danos em álcool e em outras drogas. Para Sebastião Firmino do Nascimento Filho, 25 anos, com ensino médio concluído, egresso do sistema penitenciário e há três anos vive em situação de rua, afirma que tem conseguido melhorar com a ajuda dos profissionais. “Eles entram em foco para não deixar agravar a doença dos moradores de rua e eles tentam tirar a gente da rua, mas o albergue é pior do que a rua”, afirma Firmino. Para a assistente social, Helena Luiza de Sá Almeida, do Consultório de Rua, o desafio está em todo o processo. “A conquista da confiança, a criação de vínculos, o levantamento das necessidades deles e a dificuldade de convencê-los a começar o tratamento ou a ir para um equipamento é o nosso dia a dia”, afirmou Helena. Ainda, segundo ela, as demandas são pela obtenção de documentos. “Após a documentação, passamos para outros encaminhamentos, pois tudo precisa de documentos” conclui Helena. Para a dra. Julie Mustafa, a tentativa é diminuir a vulnerabilidade que as doenças próprias da rua podem estar agravando a vida das pessoas em situação de rua. “Em casos mais graves, levamos ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e depois fazemos o encaminhamento para especialistas e acompanhamos”, afirma Julie. O diferencial e o avanço do Consultório de Rua de Guarulhos estão na gestão compartilhada entre as secretarias municipais da Saúde e da Assistência Social. Mesmo assim, a equipe ainda sente falta de um espaço de acolhida. “Algumas pessoas já têm uma cultura de rua, já não aceitam a instituição como o trabalho, a família e até o albergue. Por isto, o espaço intermediário poderia ajudar a fazer essa passagem. Edição N° 196 - Abril de 2011










