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  • Acolher e criar oportunidades

    Arsenal da Esperança, 30 anos acolhendo e possibilitando que pessoas em situação de rua reconstrua suas trajetórias. Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO No dia 21 de março de 2026, o Arsenal da Esperança celebrou 30 anos de atuação na cidade de São Paulo. A data foi marcada por uma programação que reuniu pessoas acolhidas, trabalhadores(as), voluntários(as) e religiosos(as), em um momento de celebração e memória. A comemoração contou com barracas de comidas típicas, música e atividades de convivência. Também foi celebrada uma missa presidida pelo cardeal Dom Odilo Scherer, concelebrada por padres da casa e convidados, com transmissão ao vivo para a Itália, país de origem dos religiosos responsáveis pelo projeto. Fundado em 1996, o Arsenal da Esperança se consolidou como uma das principais iniciativas de acolhimento à população em situação de rua na capital paulista. Ao longo dessas três décadas, o espaço ampliou sua atuação para além do abrigo emergencial, que atende diariamente cerca de 1.200 homens. Com foco na reconstrução de trajetórias, no fortalecimento de vínculos e na promoção da dignidade, a iniciativa também oferece atividades de formação e espiritlidade. Segundo o padre Simone Bernardi, da Fraternidade da Esperança do SERMIG*, a proposta do Arsenal se baseia na convivência e na presença cotidiana. “Amar é fazer com que os outros sejam capazes de amar”, afirma. Ele destaca a inspiração em Dom Luciano Mendes de Almeida, um dos incentivadores da missão. A iniciativa também busca ampliar sua relação com o território. A perspectiva, segundo o religioso, é tornar o espaço cada vez mais aberto à comunidade, integrando diferentes públicos e promovendo relações baseadas no respeito e no apoio mútuo. Histórias como a de Adriano Mangueira dos Santos, um dos acolhidos, demonstram os impactos do trabalho. Há oito meses em São Paulo, ele afirma ter encontrado no Arsenal oportunidades para recomeçar. Atualmente empregado, segue reconstruindo sua trajetória. “O Arsenal da Esperança dá muitas oportunidade para quem quer. Eu sou um deles. Estou trabalhando registrado e, com a graça de Deus, sendo abençoado pelo Arsenal”, relata. Instalado na antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, o Arsenal ocupa um espaço historicamente ligado ao acolhimento e à busca por novas oportunidades. Esse processo, no entanto, ocorreu em meio a profundas desigualdades: enquanto imigrantes chegavam em busca de melhores condições de vida, a população negra, recém-saída da escravização e sem acesso a políticas de inclusão, foi sendo empurrada para as margens da sociedade. Hoje, essa realidade ainda se reflete no perfil das pessoas em situação de rua — 70% delas negras — que voltam a ocupar esse mesmo espaço na tentativa de reconstruir suas trajetórias. A marca dos 30 anos ocorre em um contexto de agravamento da crise social. Em São Paulo, cresce o número de pessoas vivendo nas ruas, reflexo da insuficiência de políticas públicas, do desemprego e da dificuldade de acesso à moradia. Mais do que um marco comemorativo, a celebração reforça a necessidade de respostas contínuas e efetivas para a população em situação de rua. *SERMIG (Servizio Missionario Giovani): Uma fraternidade internacional cristã fundada na Itália por Ernesto Olivero.

  • São Martinho e São Leopoldo FICAM!

    Núcleo de Convivência São Martinho de Lima No início do mês de março de 2026, tivemos a grave notícia do futuro fechamento de dois importantes serviços para a população em situação de rua: o Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, na Mooca, e o Centro de Acolhida São Leopoldo, no Belenzinho. O São Martinho existe há 35 anos e atende 450 pessoas diariamente, com oferta de refeições, banho, oficinas e atendimento socioassistencial. O São Leopoldo é um centro de acolhida para 180 pessoas e que funciona também como núcleo de convivência para mais 270 pessoas, totalizando 450. Ou seja, juntos, os dois equipamentos, que são extremamente bem avaliados pelos conviventes, atendem 900 pessoas na região da Subprefeitura da Mooca. Em ambos os serviços, a Secretaria da Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informou a rescisão dos Termos de Colaboração com as organizações que gerenciam os espaços, sem qualquer justificativa. O caso do São Martinho teve grande visibilidade nos jornais, principalmente pelo fato dele ter sido criado pelo querido Padre Júlio Lancellotti. Com isso, poucos dias após o anúncio do fechamento, o Ministério Público abriu um inquérito civil para apurar o caso e fez uma Recomendação para que o serviço não feche. No dia 11, a SMADS recuou no fechamento do São Martinho! Entretanto, o mesmo não ocorreu com o São Leopoldo. O Grupo de Trabalho PopRua (GT PopRua), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, fez visitas nos dois serviços no dia 09 de março, antes do recuo da SMADS no caso do São Martinho, e constatou a qualidade e a importância da continuidade dos serviços. No dia 11, o GT PopRua divulgou uma nota pública e a vereadora Luna Zarattini e o deputado estadual Eduardo Suplicy protocolaram uma representação ao Ministério Público contra o fechamento dos serviços. No dia 18, Luna e Suplicy organizaram um ato contra o fechamento do São Martinho e do São Leopoldo na Faculdade de Direito da USP, em que os conviventes dos serviços puderam expor suas opiniões e seus medos. No dia seguinte, o Ministério Público informou que, a partir da representação dos parlamentares, instaurou um inquérito civil e fez uma Recomendação para que o São Leopoldo não feche, similar à do São Martinho. No dia 20, uma nova vitória: o Tribunal de Justiça determinou que a Prefeitura está proibida de fechar os serviços. Vitória! Mas seguiremos de olho.

  • O que te sobra?

    Foto: Alderon Costa Quem sobrevive e está vivendo em situação de rua tem pouco ou quase nada de sua vida fora das ruas. Sua história parece que foi interrompida. Seus projetos de vida, seus sonhos e perspectivas se perderam. A vida virou uma: aqui e agora! A rotina de sobrevivência tomou conta de quase toda a vida. O restinho do tempo que sobra é fazer as coisas para se estar viva: uma dose de pinga, um cigarro, um bom papo de história passadas, projetos e sonhos que muitas vezes ficam ali na roda de conversa. O fato é que estar em situação de rua é sobreviver dentro de uma realidade difícil de suportar. Para Roseli Kraemer, do Fórum da Cidade, “no Brasil e no mundo a gente não tem o direito de viver, de ocupar e não tem o direito de ir e vir. Porque tudo no meu quintal, não! Principalmente pop rua. Todos os projetos do governo são para a elite, para as pessoas que podem pagar. A gente não tem nada. A gente não tem moradia. Tiraram tudo da gente. Então, o que resta pra a gente além de andar com a casa nas costas [mochila] e viver numa resistência constante?” Essa fala aconteceu na última oficina (21/03) do Coletivo Luta Pelo Direito ao Centro, onde Roseli foi convidada a falar sobre a luta por moradia das pessoas em situação de rua. Logo depois, a caminho da Câmara Municipal de São Paulo, por coincidência num muro que cerca umas das Vilas Reencontro, onde moram famílias com trajetória de rua, encontrei a frase: “O que te sobra?” Mais à frente uma pessoa deitada, provavelmente alguém em situação de rua dormindo. Essa é a história de milhares de pessoas que estão em situação de rua e próximas dessa situação. O que sobra para estas pessoas? Nesta edição é apresentado o PL do Bom Prato; os 30 anos do Arsenal da Esperança, um espaço de acolhimento para mais de mil pessoas, situado num espaço que já foi usado por muitos migrantes; trazemos também a triste tentativa da Prefeitura de São Paulo de fechar espaços que são muito importantes para as pessoas que não tem onde ficar. É uma contradição, pois a prefeitura não quer ninguém na rua, mas ao mesmo tempo não abre novos espaços mais qualificados e até fecham os que já existem. O que sobra? No mesmo muro, encontrei a frase: “Se ninguém é especial, você pode ser!” Daí, para completar esse pensamento que nem tudo está perdido, trazemos a segunda parte de nossa homenagem à Maria Alice, “Ela conseguia olhar coisas coloridas”, numa entrevista com sua filha Georgia Vassimon.

  • São Paulo Inaugura CIAMP-Rua Estadual

    Fachada da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (divulgação - www.al.sp.gov.br) Na terça-feira, 17 de março, o Estado de São Paulo deu início às atividades do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Estadual de Atenção Específica para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua). Este novo órgão, de composição paritária entre membros do governo e da sociedade civil, tem por objetivo elaborar planos de ação bienais da Política Estadual para a População em Situação de Rua, monitorar as ações desenvolvidas, propor medidas que assegurem a articulação intersetorial etc. Embora o Governo Estadual tenha demorado 9 anos para instituir o conselho, que já era previsto por lei desde 2017 (o CIAMP-Rua era previsto pela Lei 16.544/2017 mas só foi criado pelo Decreto 69.522/2025 com a primeira reunião em 2026), a efetivação desse órgão é uma conquista a ser comemorada. No encontro inicial, Wagner dos Santos, conselheiro com trajetória de rua, afirmou: “Acho que o papel do CIAMP agora, nesse momento, é para, verdadeiramente, colocar a pessoa em situação de rua em um patamar de onde ela nunca deveria ter saído, que é a socialização. É ser uma pessoa que tem uma vida digna, minimamente decente, minimamente com as suas necessidades supridas”. O Ciamp-rua estadual fará suas reuniões sempre na última terça-feira do mês, às 14h, em modo híbrido. As reuniões ocorrerão na Sala Quadrada da sede da Secretaria de Desenvolvimento Social e as plenárias abertas à rua devem iniciar tão logo seja aprovado o Regimento Interno do órgão, que deve ocorrer na próxima reunião ordinária em abril. O Trecheiro continuará acompanhando este espaço de debates.

  • Bom Prato gratuito? Poderá ser realidade!

    Uma proposta que garante a universalização da gratuidade, ou seja, todas as refeições gratuitas para todas as pessoas! Foto: Felipe Moraes O deputado estadual Eduardo Suplicy protocolou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), no mês de março, o Projeto de Lei n° 132/2026, que institui gratuidade das refeições do Programa Bom Prato. O Bom Prato tem como objetivo oferecer refeições de qualidade a um custo acessível. Atualmente conta com 71 unidades fixas, 47 pontos móveis de atendimento e 4 refeitórios. Das 75 unidades (fixas + refeitórios), 27 abrem aos finais de semana e feriados e 48 unidades funcionam apenas em dias úteis. Nem todas as unidades oferecem jantar. Já existe gratuidade nas refeições do Bom Prato para crianças até 6 anos e para pessoas em situação de rua não albergadas. Para as demais pessoas, o café da manhã tem um custo de R$ 0,50 e o almoço e jantar possuem um custo de R$ 1,00 cada. Apesar dessa gratuidade estar garantida por meio de resolução, relatos de pessoas em situação de rua, de movimentos sociais e organizações que atuam com o tema indicam a dificuldade no acesso a esta gratuidade. No momento, a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) fornece os cartões para as Prefeituras, que repassam para as pessoas em situação de rua. Entretanto, a perda do cartão é comum e há uma burocracia enorme em conseguir um novo. Além disso, pessoas vinculadas a centros de acolhida não podem usufruir da gratuidade. Inicialmente, Suplicy pensou em fazer um projeto de lei para facilitar o acesso à gratuidade pelas pessoas em situação de rua. A ideia foi se aperfeiçoando até chegar em uma proposta que garantisse a universalização da gratuidade, ou seja, todas as refeições gratuitas para todas as pessoas! O objetivo, além de garantir uma refeição de qualidade a quem possa estar em insegurança alimentar, é eliminar burocracias e barreiras de acesso. O deputado ainda fez uma análise orçamentária e verificou que a gratuidade integral a todas as pessoas necessitaria de um aumento ao orçamento de 8,4%, ou seja, um valor extremamente viável frente aos benefícios da proposta. A equipe do jornal O Trecheiro acompanhará a tramitação do projeto na ALESP e está na torcida para que, em breve, se torne Lei.

  • “Escritos do Asfalto”

    Livro lançado por Samuel Rodrigues no encontro de planejamento do Comitê Nacional Pop Rua Jud (9/03), onde separou um tempinho para conversar com o jornal O Trecheiro Samuel Rodrigues autor do livro "Escritos do Asfalto" - Foto: Luciana Ribas e Rede Social Como você descreve sua trajetória e relação com a rua? Minha trajetória e minha relação com a rua se misturam. Eu nasci em 1968, no interior, num lugar muito pobre, onde só fui ter energia elétrica aos oito anos. Comecei a trabalhar cedo, com 13 anos, em serviços sazonais. Também tive conflitos familiares — minha mãe era católica praticante e meu pai, protestante da Assembléia de Deus. Saí de casa e não voltei mais. Vivi muitas violências institucionais e sociais, discriminação e violações de direitos. A rua marcou profundamente minha vida, inclusive um período no sistema prisional. Depois, já fora da rua, mantive uma relação forte com os movimentos e a rua organizada. Como surgiu a ideia do livro ‘Escritos do Asfalto’? A ideia veio das pessoas que sempre me incentivaram a escrever sobre minha história. Mas a poesia entrou na minha vida através da mobilização social. Durante a pandemia, nas ações do Canto da Rua, eu me vi escrevendo mais, participando de rodas, conversas, movimentos. Comecei a registrar minhas percepções e vivências. Fizemos sarau, divulgamos poesias na internet. Foram cinco anos de construção até que o livro se tornasse real. Quem apoiou a construção do livro? Muita gente. Meu companheiro Vanilson, Cristina Bove e Patrícia Antunes, que ajudou a organizar e dividir o livro em capítulos. A Arte Editora fez o trabalho gráfico. Muitas pessoas apoiaram financeiramente e emocionalmente. Houve dificuldades, problemas de saúde, desencontros, falta de recursos — mas superamos tudo com amizade e foco. Eu tinha claro que queria publicar o livro, e esse desejo foi o que nos manteve firmes. Como você vê as políticas públicas de cultura para a população em situação de rua? Vejo como algo ainda muito distante. Se políticas essenciais como moradia, saúde e trabalho já estão aquém, a cultura fica ainda mais esquecida. Há incentivos, mas são para toda a sociedade; nada específico para a população em situação de rua. Seria muito importante termos políticas culturais específicas: para escrever, montar teatro, produzir cultura. A rua é cheia de cultura, e isso deveria ser reconhecido. Quais são seus planos daqui para frente? Quero continuar escrevendo. Eu gosto muito de escrever — faço relatórios, atas, documentos. Quero divulgar mais o livro, vender, distribuir. Continuarei escrevendo poesias e textos, porque isso virou uma paixão para mim. Serviço: Samuel Rodrigues Instagram: @samuelrodrigues3837 E-mail: paranamig@yahoo.com.br Valor: O livro - R$ 50,00 com o envio - R$ 58,55.

  • “Ela conseguia olhar coisas coloridas”

    Entrevista com Georgia Vassimon sobre sua mãe, Maria Alice Georgia Vassimon, filha de Maria Alice (foto Alderon Costa) Custódio, Cecília, Maria Alice, Ana Maria, Custódio (filho) e Maurício. Poderia ser uma foto de família. Nesta foto estão presentes os pais de Maria Alice, sua irmã e seus 2 irmãos. Depois temos a outra foto. Maria Alice Vassimon, Sérgio Gomes Vassimon, Georgia, Guilherme. Poderíamos seguir com estas fotos até chegar nas famílias dos filhos e de todos os grupos que ela de certa forma gerou: GETEP, ECOS, OCAS e tantas outras. No dia 26 de fevereiro, fez um ano que ela partiu. O jornal O Trecheiro gravou uma entrevista com sua filha Georgia Vassimon, educadora, psicopedagoga e, atualmente, parte da diretoria do Instituto Sedes Sapientiae. O Trecheiro: Quem foi Maria Alice? Georgia: A minha mãe vem de uma família com algumas posses e viviam no Rio de Janeiro. Teve uma oportunidade incrível de estudar fora. Naquela época, não era uma coisa comum. Fez o fundamental na França e teve uma oportunidade de estar nos Estados Unidos. É interessante você pensar que é uma pessoa que teve várias oportunidades. Aí resolveu casar-se com um comunista cinco estrelas (Sérgio Gomes Vassimon), que é assim que a gente brinca. Tivemos uma vida muito regrada, muito organizada porque eles eram bem certinhos nas coisas. Acho que a relação deles era uma relação muito generosa. Ela foi fazer faculdade e a gente era pequeno. Ela trabalhava numa escola e meu pai ficava tomando conta da gente. Maria Alice Logo que ela terminou os estudos, foi trabalhar no Colégio Nossa Senhora do Morumbi, que era uma escola ligada à rede do SEDES. Então fez psicodrama, montou o curso do GETEP e o próprio GETEP. Esse ano deve estar fazendo 52 anos e ela foi fundamental na construção desse espaço. Ela criou também o Caracol, que era uma escola de arte e tinha vários amigos. A minha mãe sempre foi uma pessoa que gostava de juntar pessoas. Ela foi sempre uma pessoa, eu diria, precursora. Ela montou o GETEP e a psicopedagogia do SEDES. O Trecheiro: Maria Alice também teve uma relação forte com a periferia. Ela fala dos mal vistos, dos invisibilizados. Georgia: Eu fui conversar com o psiquiatra dela do final de vida e ele ficou muito entristecido porque tinha uma conversa muito boa com ela. Ele falou assim, “Geogia, eu nunca vi alguém que se entregava na relação com o outro com tanta intensidade.” Então, acho que a minha mãe fazia isso, sim, com todo mundo, mas com uma preocupação histórica com as pessoas, sim, da periferia e, acho que aí a gente vai vendo todo o movimento dela. O GETEP já existia, teve um trabalho na favela Manoel Assom, na época. A dona Eunice era uma liderança nessa favela e a mamãe ia lá. Ela criou uma escola na casa da dona Eunice para as crianças que ficavam lá meio sozinhas. O pessoal do GETEP, como um todo, foi para esse lugar e conversava com a dona Eunice. Antes da dona Eunice ela fez um trabalho na Cidade Patriarca com mulheres. Assim, a mamãe sempre tinha esse olhar. Ela sempre teve essa coisa de ir conectando as pessoas e tirando um pouco os preconceitos. O taxista que levava ela na Ocas devia achar que ela era um pouco maluquinha, mas ele começou a olhar o mundo de outro jeito. “Puxa, que bacana que as pessoas estão mudando de vida de alguma forma, vendendo Ocas”. O Trecheiro: E o GETEP na vida da sua mãe? Georgia: Foi o momento que ela fez psicodrama. Na época, a intenção já era na direção de como a gente melhora a educação no país, de olhar para as pessoas que não tinham condições. Então, acho que esse é um lugar que ela sempre olhou. O GETEP nasce nesse desejo e ela aglutinou pessoas da época que ou fizeram o curso ou estiveram com ela de alguma maneira. O GETEP teve muito essa função de trabalhar com as equipes, com os grupos, enfim, de formar pessoas. O Trecheiro: Um aprendizado com sua mãe. Georgia: Olhar para todos de igual qualidade e uma alegria, minha mãe era uma pessoa muito alegre. Ela sempre trazia coisas muito divertidas. Ela conseguia olhar coisas coloridas. Talvez a vida fosse bem mais colorida.

  • Chamada para candidaturas de vagas Cidadania Pop Rua

    Chapelaria Social Irmã Alberta | Chapelaria Social Irmãs Regina e Ivete Oportunidade de trabalho A Associação Rede Rua está com 13 vagas abertas  pelo projeto Cidadania Pop Rua – Chapelaria Social, em diferentes áreas de atuação. As oportunidades são para: Recepcionista (2 vagas) Auxiliar de Manutenção de Edifícios (2 vagas) Monitor(a) de Segurança (1 vaga) Agente de Limpeza (4 vagas) Administrador(a) (1 vaga) Supervisor(a) Clínico Institucional (1 vaga) Articulador(a) / Mobilizador(a) Social (2 vagas) Se você tem compromisso com os direitos humanos, sensibilidade para atuar com a população em situação de rua e deseja fazer parte de um trabalho que promove cidadania e inclusão social, essa pode ser a sua oportunidade. As vagas contemplam diferentes níveis de escolaridade e incentivam a candidatura de pessoas em situação de vulnerabilidade social, reforçando o compromisso com a diversidade e a inclusão. As inscrições vão até 14 de abril de 2026 . Para mais informações sobre requisitos, atribuições e processo de inscrição, acesse o link e leia o edital completo. Link: https://drive.google.com/file/d/1jhSlnktVWy_X_6BbdVIprn7gNeXSU7ui/view?usp=sharing As entrevistas serão agendadas na terceira semana de abril, para o início de trabalhos imediato no próprio mês de abril.

  • “Não ter chave é não ter nome”

    A Campanha da Fraternidade denuncia falta de moradia no Brasil que tem mais de 6 milhões de famílias sem moradia. A Campanha da Fraternidade 2026, lançada pela Conferência dos Bispos do Brasil – CNBB, em 18 de fevereiro (Quarta-feira de Cinzas), traz o tema " Fraternidade e Moradia " e o lema " Ele veio morar entre nós " (Jo 1,14). Focada na dignidade humana, a campanha denuncia o déficit habitacional no Brasil que tem mais de 6 milhões de famílias sem moradia. Pe. Alfredo José Gonçalves, que participou do Seminário de formação da Campanha da Fraternidade no dia 31 de janeiro, apontou que dos dramas de grande parte da população brasileira, uma é não possuir chave. “Não ter chave é não possuir endereço fixo, passar o dia de um lado para outro e não ter direção de ir repousar, de encontrar amigos, de onde encontrar um teto. A chave empodera. A chave nos torna cidadãos e cidadãs, declarou ele. “Não ter chave é não ter nome. Quem mora na rua não tem nome, é número”, finalizou Gonçalves. A questão da moradia é um dos grandes desafios para a superação da miséria. Com a moradia, os outros direitos ficam mais acessíveis. Segundo Benedito Barbosa, seis milhões e meio de famílias precisam de moradia. Mais de 25 milhões de domicílios no Brasil tem alguma inadequação habitacional.  Para Barbosa, a questão da moradia “é uma chaga aberta no nosso país desde a escravidão e precisamos alterar essa realidade no Brasil”.    Luiz Kohara, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, destaca que “a falta de moradia desestrutura a pessoa, por isto digo que a moradia é base estruturante para a inserção social de todas as pessoas, principalmente das pessoas em situação de rua”. Evaniza Rodrigues, da União dos Movimentos de Moradia, convida todos para participarem da Campanha dos próximos 40 dias. Segundo ela, é importante que aconteça de forma muito intensa agora, mas que continue o ano inteiro. “Que a nossa campanha aconteça durante a quaresma e siga depois sendo testemunha da luta por moradia”, conclui Rodrigues. A campanha foi aberta oficialmente no dia 18 de fevereiro e vai até o dia 29 de março, quando acontece a “Coleta Nacional da Solidariedade” que deve financiar ações concretas pela moradia digna. Representantes dos Movimentos Sociais comprometidos com a CF 2026 Acesse os vídeos sobre a campanha produzidos pela Rede Rua

  • Editorial: A Prefeitura de SP quer que as pessoas evaporem?

    O ano de 2026 começou com a notícia do aumento da quantidade de pessoas em situação de rua em todo o país. Apenas na cidade de São Paulo, segundo dados do CadÚnico, temos mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas: o número mais do que dobrou em 3 anos. Destaca-se que, após pressão popular, a Prefeitura irá realizar o novo Censo PopRua, conforme determina a Política Municipal para a População em Situação de Rua. A empresa que realizará o Censo é a Qualitest, a mesma que executou os últimos dois censos, nos anos de 2019 e 2021, em que houve, inclusive, denúncias de subcontagem na pesquisa. Ainda assim, é importante que nos próximos meses teremos a contagem oficial da Prefeitura, com dados detalhados do perfil. Enquanto a gente presencia esse aumento, a Prefeitura paulistana está fechando serviços e impedindo as pessoas de ficarem paradas nas ruas, forçando um espalhamento pela cidade. Em 2025, vimos o fechamento de Núcleos de Convivência, como a Casa Franciscana e o Santo Amaro. Acompanhamos também o cancelamento da entrega de refeições na Estação Cidadania da Sé. Centros de acolhida e Repúblicas também estão sendo fechados. Sem contar o plano de encerrar os 22 Hotéis Sociais sem qualquer planejamento de abertura de novos serviços com características semelhantes para garantia dos direitos dos acolhidos. Esse plano, por enquanto, está impedido graças à Defensoria Pública de São Paulo, que entrou com ação na justiça. Até a escrita desta edição a liminar segue vigente. Nesta edição, O Trecheiro ainda traz detalhes das ações do Grupo de Trabalho PopRua (GT PopRua), vinculado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo. Em 2025 o GT PopRua fez visitas em serviços e divulgou, em dezembro, um relatório parcial detalhando os principais problemas analisados. Em 2026 a Comissão fará mais visitas em serviços e o relatório final está previsto para o fim do 1° semestre. A equipe d’O Trecheiro seguirá acompanhando o trabalho do GT PopRua e denunciando as violências sofridas pelas pessoas em situação de rua.

  • “Sem Hotéis Sociais, para onde vamos?”

    Após o fechamento de Núcleos de Convivência e o fim da distribuição de refeições no centro; nos últimos meses de 2025 a população em situação de rua foi surpreendida por mais uma péssima notícia. Em informações prestadas ao Deputado Eduardo Suplicy e à Defensoria Pública do Estado (DPE), a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) afirmou que fecharia os 23 Hotéis Sociais da capital até o final do ano. Na prática, isso significaria uma redução de 2.671 vagas de acolhimento em um momento em que a rede já está sobrecarregada.             É importante notar que, enquanto o município diz que tem menos de 30 mil vagas de acolhimento, os dados do CadÚnico já apontam que na cidade são mais de 101 mil pessoas em situação de rua. Além disso, a maioria das vagas dos hotéis sociais é destinada a públicos em maior vulnerabilidade, como pessoas com deficiência, idosos e famílias - para os quais a transferência para centros de acolhida convencionais, em outros territórios, seria muito prejudicial.             Graças à atuação da DPE, o fato de a SMADS não ter apresentado estudos que justifiquem o fechamento, a abertura de novas vagas ou planos individualizados de acompanhamento para os acolhidos foi entendido como uma grave violação de direitos pelo Tribunal de Justiça, que determinou que os Hotéis Sociais permaneçam abertos, pelo menos enquanto estes documentos não sejam apresentados. A DPE seguirá acompanhando este caso, de forma a evitar que o fechamento dos Hotéis Sociais signifique redução da autonomia dos acolhidos

  • Oficinas resgatam memórias da “Vida no Trecho”

    Durante o mês de fevereiro, a equipe do Projeto Memórias de Rua, da Rede Rua, em parceria com o Centro de Memória Urbana da Unifesp, realizou oficinas semanais na Chapelaria Social Irmã Alberta, sempre às terças-feiras, a partir das 9h da manhã. As atividades reuniram conviventes do espaço para momentos de desenho e conversa sobre histórias de vida. As oficinas são um momento para resgatar memórias da vida no trecho, tanto do passado quanto do presente. Em uma das suas frentes, o projeto Memórias de Rua vem pesquisando o arquivo da Rede Rua, recuperando histórias, registros e lutas de quem já viveu nas ruas.  Em outra frente, as oficinas se tornam espaço para registrar as histórias de hoje, a partir das vivências e relatos compartilhados pelos participantes, conectando, assim, passado e presente. Os encontros acontecem por meio de práticas simples e abertas à participação, como desenho, fotografia, gravação de histórias de vida em vídeo e conversas em grupo. Não é preciso ter experiência nem inscrição para participar. A iniciativa busca fortalecer a escuta, a convivência e o reconhecimento das trajetórias de vida como parte da memória da cidade. Serviço: Chapelaria Social Irmã Alberta Rua Campos Sales, 88 – Brás – São Paulo – SP A partir de março as oficinas acontecem a cada quinze dias, no período da manhã. Contato: memoria@rederua.org.br

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Nossa missão é contribuir para a construção de uma rede de relações, que promova o resgate dos direitos e da vida digna da população em situação de rua.

Rua: Sampaio Moreira, 110 - Brás

São Paulo - SP, 03008-010

Tel: (11) 3311-6642

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